Vamos considerar dois pontos:
*Sabermos exatamente a respeito do certo e errado na língua?
O que é considerado certo será amanhã?
*De qualquer modo, precisamos conhecer a nova grafia.
*Alfabeto.Mesmo sendo comum a utilização das letras (
K, W e Y) foram oficialmente integradas ao alfabeto brasileiro, passando de 23 para 26 letras. Por exemplo: Franklin, Darwin, Kuwait, Kg (quilograma), etc.
*Trema.Acento utilizado para marcar pronúncia do fonema
u em palavras escritas com:
gue,
gui,
que ou
qui, por exemplo: lingüiça, lingüística, conseqüência, etc. Nestes casos, não será mais necessário colocar o trema, devendo ser escrito desta forma: linguiça, linguística, consequência. Lembrando que a
pronúncia continuará a mesma, a mudança é unicamente na grafia.
*Acentos.- Algumas palavras perdem o acento, entre elas as paraxítonas terminadas em "-eem" e "-oo". Assim, não acentua-se palavras como voo, abençoo ou formas verbais como: eles deem, eles veem, eles leem.
- Os chamados diferenciais caíram com a reforma. A preposição para era diferenciada do verbo parar na 3ª pessoa (ele pára) exatamente pelo verbo. Agora não precisa do acento, ficando para mim e ele para. O mesmo ocorre em pêlo (substantivo) pelo (preposição por + o): o cavalo tem um bom pelo; trabalho pelo prazer. No entanto, há exceções: o verbo pôr continuará sendo acentuado, para diferenciar da preposição por.
- Alguns casos ficou facultativo o uso de acento, como dêmos (
1ª pessoa do plural do presente conjuntivo), como meio de distinção da forma do pretérito perfeito do indicativo: nós demos; fôrma (substantivo): "vamos pôr o bolo na fôrma", distinta da forma (
3ª pessoa do singular do presente indicativo ou
2ª pessoa do singular do imperativo do verbo formar): ele forma; forma tu.
- As palavras paroxítonas (sílaba tônica cai na penúltima sílaba) que têm ditongos abertos "-ei" e "-oi" não serão acentuadas: assembleia, ideia, heroico. Desaparece o acento nas paroxítonas quando a sílaba tônica é antecedida de ditongo, casos de feiúra e bocaiúva, agora escritas feiura e bocaiuva.
- O acento continua em ditongos abertos em monossílabas, oxítonas e terminados em "eu".
Ex.: chapéu.
*Hífen.Por sua abrangência, a mudança requer nossa maior atenção. O hífen tem como objetivo ligar duas ou mais palavras que formam uma
unidade semântica, ou seja, tenham um novo significado. Assim, palavras tio e avô têm significados diferentes, juntas formam uma terceira, tio-avô.
As 4 situações que podem ou devem usar hífen:
1)Compostas por Justaposição.Que não há perda de fonemas ou letras. A outra forma de composição é aglutinada e perde-se fonemas ou letras.
- Palavras compostas com justaposição expressando significado único. Ex.: ano-luz, arce-bispo, arco-íris, decreto-lei, médico-cirurgião, tenente-coronel, guarda-noturno, mato-grossense, norte-americano, porto-alegrense, segunda-feira, guarda-chuva. Algumas palavras, porém, pelo uso acabam perdendo a idéia da justaposição. Neste caso, não usa-se hífen em: girassol, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista.
- Usamos hífen em palavras iniciadas pelos termos grã, grão ou por palavras cujos elementos estão ligados por artigo: Grã-Bretanha, Grão-Pará; Todos-os-Santos, Trás-os-Montes.
- Quando as palavras compostas estão ou não ligadas por preposição ou outro elemento: couve-flor, erva-doce, feijão-verde, bem-me-quer, bem-te-vi.
- Após os advérbios bem e mal, ao formal uma palavra de sentido específico, desde o termo seguinte comece por
vogal ou
h.
Ex.: bem-aventurado, bem-humorado, mal-afortunado, mal-estar, mal-humorado.
Obs.: Quando o termo seguinte inicia com consoante, separa-se o advérbio bem, mas não o advérbio mal: bem-criado, malcriado, bem-nascido, malnascido.
- Nas palavras compostas com termos além, aquém, recém e sem, devemos usar hífen: além-mar, além-fronteiras, recém-casado, recém-nascido; sem-cerimônia, sem-número.
-No caso de palavras que podem se combinar, formando encadeamentos vocabulares: ponte Rio-Niterói, ligação Angola-Moçambique, Angola-Brasil, etc.
2)Uso de Prefixos.Nas formações com prefixos (ante-, anti-, entre-, extra-, hiper-, sub-, super-, ultra- etc.) se emprega o hífen nos seguintes casos:
- Quando a palavra seguinte começa por
h: anti-higiénico, co-herdeiro, extra-humano, pré-história, sub-hepático, super-homem, semi-hospitalar, etc.
Obs.: Atenção – com os prefixos "des-" e "in-" e quando a palavra seguinte perdeu o
h inicial, não vai hífen: desumano, inábil, inumano, etc.
- Quando o prefixo termina na mesma vogal que inicia a palavra: anti-ibérico, contra-almirante, auto-observação, eletro-ótica, micro-onda, semi-interno.
Obs.: O prefixo "co-" aglutina em geral com a palavra posterior: coordenar, cooperação, cooperar etc.
- Com os prefixos "circum-" e "pan-", quando o segundo elemento começa por vogal,
m ou
n: circum-escolar, circum-murado, circum-navegação; pan-africano.
- Nas formações com os prefixos "hiper-", "inter-" e "super-", seguidos de palavras iniciadas por
r: hiper-requintado, inter-resistente.
- Nas formações com os prefixos "ex-", "vice-": ex-almirante, ex-diretor, ex-hospedeira, ex-presidente, vice-reitor.
- Nas com os prefixos "pós-", "pré-" e "pró-": pós-graduação, pré-natal, pró-europeu.
3)Sufixação.Apenas se emprega o hífen nos vocábulos terminados por sufixos de origem tupi-guarani que representam formas adjetivas, como açu, guaçu e mirim, o primeiro elemento acaba em vogal acentuada graficamente ou se a pronúncia exige distinção gráfica dos elementos: amoré-guaçu, anajá-mirim, andá-açu, capim-açu, Ceará-Mirim.
4)Outros casos.- Ênclise, devemos colocar o pronome após o verbo: amá-lo, dá-se, deixa-o;
- Mesóclise, pouco comum no Brasil, mas são aquelas formas que o pronome é colocado no meio do verbo futuro: amá-lo-eu, enviar-lhe-íamos;
- No caso do advérbio eis seguido de pronome átono devemos usar hífen: eis-me, ei-lo.
*O hífen não é mais usado nas situações:-Verbo haver for seguido de preposição com valor de possibilidade: hei de, hás de, hão de, etc;
- O prefixo termina em vogal e o segundo elemento comeaça com
r ou
s, devendo as consoantes duplicar-se: antirreligioso, antissemita, contrarregra, minissaia, microssitema;
- Prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente: antiaéreo, extraescolar, aeroespacial, autoestrada, hidroelétrica.