Mostrando postagens com marcador historia4. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador historia4. Mostrar todas as postagens

Regimes Totalitários: O Fascismo

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Regime político autoritário que exalta o nacionalismo e o antimarxismo e que despontou na Itália no período entre Guerras.

Um dos regimes políticos que deram origem à Segunda Guerra Mundial. Inclusive, pela pretensão de existir no Mundo todo. O fascismo teve grande expressão na Itália, após a Primeira Guerra Mundial, em que a Itália foi aliada da Inglaterra e França. Esta aliança garantia a Itália terras da Áustria que a Itália disputava á algum tempo.

Ao fim da guerra, a Itália ainda se sentia lesada por não ter conseguido ficar também com as colônias da Alemanha na África e outras terras, além das enormes perdas. Os italianos foram indenizados com pequenas quantias. Estas frustrações fizeram com que o povo perdesse a credibilidade no governo. Neste momento, os fascistas se manifestaram dizendo que os interesses do governo só seriam defendidos se ele fosse forte.

O partido fascista começou a ser expressivo, porque a crise econômica se agravava cada vez mais e os partidos socialistas também estavam crescendo, o que assustava a alta burguesia e a classe média.

Os capitalistas escondiam produtos para poder aumentar os preços. O custo de vida era alto, a inflação não parava de crescer, os ex-combatentes não tinham empregos, nem nos campos. A classe trabalhadora tinha de fazer muita força para sobreviver nestas condições.

Consequentemente os partidos socialistas e os movimentos de oposição conquistaram um terço das cadeiras da Câmara dos Deputados. E, por influência da Rússia, houve uma grande greve em 1920, com 100 fábricas tomadas pelos operários, que fecharam pela falta de organização dos trabalhadores e crédito bancário. Os trabalhadores rurais invadiram terras desocupadas.

Foi fundado o Partido Comunista na Itália em 1921, um dos principais líderes dos movimentos operários, o que incentivava cada vez mais a classe média e alta a investir nos partidos fascistas. Estes abrangiam também os pequenos proprietários, comerciantes, profissionais liberais.

Em 1921, houve eleições na Itália. Nela o Partido Fascista elegeu 35 deputados, mas não ganhou as eleições. Os fascistas chegaram ao poder em 1922 com 50 mil "camisas negras", grupo paramilitar do partido que fizeram a "Marcha Sobre Roma". Mussolini foi escolhido como primeiro-ministro.

O Rei nesta época era Vitor Emanuel III, que cedeu, e os fascistas iniciaram um novo governo, implantando a ditadura.

Em 1924 houveram outras eleições, e os fascistas ganharam. Mas o deputado socialista Mattioti denunciou as fraudes e o terrorismo dos fascistas. Foi sequestrado e assassinado por um bando de "camisas negras". Mussolini esteve no poder até 1943.

O fascismo foi implantado e foi presente em todas as classes sociais, empresas, indústrias, escolas, lares. Dominou totalmente a Itália, e se uniu à Alemanha e ao Japão na Segunda Guerra Mundial.

Revolta de Beckman

Com a expulsão dos holandeses, Portugal passou a reestruturar o monopólio comercial. Para isso, foram criadas as Companhias de Comércio, com a finalidade de controlar o comércio e taxar preços.

No Maranhão foi criada a Companhia do Comércio do Maranhão, que detinha o monopólio comercial e funcionava como intermediária entre Portugal e a província. O descontentamento foi geral, pois diminuía o lucro dos maranhenses e, além disso, os missionários não permitiam a escravização indígena e a vinda de escravos africanos era muito pequena, encarecendo seu preço, o que descontentava ainda mais os maranhenses.

Os irmãos Manoel e Tomás Beckman lideraram a revolta que pedia o fim do monopólio comercial, a liberdade para escravização dos índios e a expulsão dos jesuítas.

A revolta foi punida severamente, e seus líderes foram presos e enforcados em 1685. Todavia, pode-se dizer que os colonos obtiveram uma vitória parcial, pois, a Companhia de Comércio foi extinta.

As Invasões Holandesas

Até o final do século XVI, Portugal e Holanda tinham ligações comerciais muito fortes, pois, eram os comerciantes holandeses que faziam toda a distribuição do açúcar na Europa. A partir de 1580, no entanto, essas relações mudaram consideravelmente.

A morte do Infante de Portugal, D. Henrique, que não deixou nenhum descendente legítimo, abriu as portas para o herdeiro mais próximo, Felipe II, Rei da Espanha, que une os dois reinos e que toma sob seu comando todas as terras pertencentes a Portugal e, entre elas, o Brasil.

Com os conflitos existentes entre Espanha e Holanda. Felipe II adota medidas drásticas e proíbe qualquer tipo de relação de seus domínios com os holandeses.
Tanto os produtores e senhores de engenho como os comerciantes holandeses vêem seus lucros se acabarem. Em vista disto, os holandeses fundaram a Campanha das Índias Ocidentais, com o intuito de controlar e manter o comércio de açúcar entre Holanda e Brasil.

A primeira invasão foi em 1624 em Salvador e durou apenas um ano. Em 1630, tentaram novamente, aí, obtiveram êxito, pois invadiram Pernambuco, que era menos guarnecida que Salvador.

Apesar da resistência colonial, os holandeses venceram os combates e através de Maurício de Nassau, o holandês que assumiu a administração do Brasil entre 1637 e 1644, abriram os créditos para reconstrução de engenhos, recuperação de canaviais e a compra de escravos. Maurício de Nassau passou a adotar uma política de tolerância religiosa, para conseguir o apoio dos católicos.

Todavia, os colonos, apesar dos empréstimos concedidos pelos holandeses, enfrentaram entre 1640 e 1642, incêndios, inundações e epidemias entre os escravos. Os holandeses, por sua vez, queriam ser mais rigorosos em suas cobranças, o que desagradou os produtores de açúcar.

Portugal havia conseguido sua separação da Espanha e estava disposto a reaver sua colônia, iniciando-se novamente os combates entre portugueses e holandeses. Após alguns anos de batalhas, os portugueses conseguiram o apoio dos ingleses, que também tinham o interesse na derrota dos holandeses, o que ocorreu em 1654.

A partir daí, então, começou a entrar em decadência o ciclo do açúcar brasileiro, pois, os holandeses levaram seus conhecimentos do cultivo da cana-de-açúcar para as Antilhas, onde a plantaram em grandes quantidades e passaram a vendê-la a um preço menor no mercado Europeu, desbancando o açúcar brasileiro.

Demais Conquistadores

Ingleses, franceses e flamengos também foram às conquistas em meados do séc. XVI, grande parte devido à instabilidade política. França e Inglaterra estiveram envolvidas na Guerra dos Cem Anos até 1453, logo depois os ingleses enfrentaram a Guerra das Duas Rosas (1455-1485). Os flamengos tinham seu território divido em províncias com disputas internas e externas.

Quando as monarquias se lançaram nas navegações, tanto o comércio oriental como as terras na África, América e Ásia estavam sob domínio português ou espanhol.

Para chegar ao Oriente, franceses e ingleses procuraram uma passagem ao Pacífico pelo Atlântico Norte. Não tiveram sucesso, mas firmaram domínio sobre vastas terras na América do Norte, onde foi construída muitas colônias.

Para conseguir maior participação nas riquezas das conquistas marítimas, os franceses e ingleses recorreram à pirataria. Os franceses percorreram a costa brasileira, onde estabeleceu comércio com os nativos, explorando o pau-brasil, por exemplo, com tentativas de fazer colônias. Essas iniciativas foram combatidas pelos portugueses, com medo das perdas de onde consideravam sua posse.

Os ingleses, a partir da metade do séc. XVI, atuaram nas áreas americanas controladas pela Espanha. Interessados nos lucros dessa prática, a pirataria tinha apoio do governo inglês. Na mesma época entraram na atividade lucrativa, tráfico de escravos africanos para a América.

Os flamengos iniciaram sua expansão pelo mar do Norte e de Barents. Na América, ocuparam as Guianas e as Antilhas, fundaram a cidade Nova Amsterdã, atual Nova York.

Também participaram dos lucros da produção de açúcar nas colônias portuguesas na América, financiaram a instalação de engenhos e distribuíam os produtos na Europa.

No séc. XVII, tentam dominar áreas produtoras de açúcar na América portuguesa, como também portos africanos envolvidos no tráfico escravista.

Divisão das Terras

Com as navegações espanholas, aumentou as divergências entre Espanha e Portugal, principalmente sobre as terras encontradas ou a serem encontradas com a expansão marítima. Com mediação da Igreja, os reinos assinaram tratados para contornar a situação.

Em 1493, o papa espanhol Alexandre VI, estabeleceu pela Bula Intercoetera os limites de cada reino para a expansão. Uma linha imaginária à 100 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde marcava o limite: as terras a leste pertenciam a Portugal e a oeste da Espanha.

Descontentes, os portugueses assinaram em 1494 o Tratado de Tordesilhas, estabelecendo as áreas de dominação de cada reino. O novo acordo, a linha imaginária era estendida para 370 léguas a oeste de Cabo Verde. Atualmente, a linha passaria por cidades como Belém, no Pará e Laguna, em Santa Catarina.

Neste acordo, os portugueses atingiam o objetivo de afastar os espanhóis da costa africana e reservar um espaço no oceano Atlântico para as manobras marítimas que poderia atingir o Oriente com essa rota, chamada Volta à África.

Os acordos eram uma grande novidade. As formas de resolver divergências políticas por via diplomática, nem tudo era nesse acordo, como a intermediação do papa, um dos principais sinais de permanência.

Aventura Espanhola

No projeto de expansão português, os seguiram vários povos da Europa Ocidental, a começar pelos espanhóis.

Em 1492, com a política expansionista e colonizadora, os monarcas espanhóis patrocinaram os planos do navegador genovês Cristóvão Colombo. Acreditava na Terra esfera, pretendia chegar no Oriente navegando em direção ao Ocidente. Os motivos que levaram o governo espanhol a patrocinar, assemelhava-se à conjuntura portuguesa.

Os espanhóis, como os portugueses construíram uma tradição marítima. Com seus portos, tanto no Mediterrâneo quando no litoral atlântico, havia intenso tráfico de marinheiros de diferentes regiões como Portugal, Galícia. A cidade Sevilha era a principal como centro comercial e marítimo, concentrando vários mercadores genoveses.

As dificuldades de negócios na região do antigo Império Bizantino, os genoveses procuravam novas oportunidades na península Ibérica. Colombo deixou o porto de Palos, em 3 de Agosto de 1492, no comando de 3 embarcações, levava autorização do governo espanhol para adquirir ilhas e territórios no chamado Mar Oceano.

Em Outubro de 1492, como vice-rei Colombo chegou as ilhas de Guanani. Segundo relatos de Marco Pólo, julgava ter chego às Índias, assim chamando os habitantes locais de índios.

Ao retornar à Espanha, a notícia que havia chegado às Índias gerou desconfiança. Em 1499, o florentino Américo Vespúcio constatou que as novas terras eram, na verdade um continente - denominado América em sua homenagem.

Os espanhóis se lançaram as navegações depois dos portugueses, porém os primeiros a saber da existência de um continente desconhecido pelos europeus, a América.
Nas décadas seguintes a Espanha se tornaria uma das maiores potências européias. O projeto de colonização espanhol era marcado pela violência, nos moldes do combate islâmico na península Ibérica.

Para eles, muitas vezes, colonizar não era somente ocupar terras, mas também assaltar, saquear e adiante a nova pilhagem. Em resumo a riqueza era o que podia ser carregado.

As Missões Jesuítas

A função das missões era de catequizar e "civilizar" os índios. Os jesuítas (Pertencentes à Companhia de Jesus) formavam expedições com o intuito de encontrar os índios e fazê-los crer na fé cristã. Essas expedições eram conhecidas como Missões Jesuítas.

Nos primeiros contatos, os jesuítas adaptavam-se ao modo de vida tribal dos índios e, a partir daí, introduziam noções religiosas. Mas, como a intenção também era "trazer a civilização" para os índios, os jesuítas ensinaram novos hábitos de vida e de novos trabalhos, o que foi muito importante, pois os índios, além de produzirem para si próprios, passaram a produzir para vender e os jesuítas começaram a obter lucro em suas missões.

É muito importante ressaltar que, com o surgimento das missões jesuítas, a escravização dos indígenas diminuiu consideravelmente, pois, os missionários não permitiam a sua escravização e tinham o apoio da Coroa portuguesa, e havia grandes problemas entre missionários e colonos. No entanto, a intenção dos missionários também era a de explorar o trabalho indígena. Não era apenas trazer uma nova maneira de vida para os índios, era sim, fazer com que esses novos métodos de trabalho adquiridos pelos índios, fossem submetidos às ordens dos missionários.

Para que os índios aceitassem essa nova cultura, era muito comum os jesuítas levarem as crianças para dentro dos conventos e embutirem uma nova cultura em suas mentes durante o período que permaneciam dentro destes conventos. Quando assimilavam essa nova cultura, ficava muito mais fácil dominá-los.

Apesar dos conflitos entre missionários e colonos, muitas missões também trabalhavam a serviço dos colonos, "preparando o terreno" para a chegada dos homens brancos e sua cruel dominação. Portanto, as missões jesuítas tinham como função-mor catequizar os índios, só que essa catequização tinha o interesse de fazer os índios aceitarem a cultura e se submeterem a ela.

A Nova República

Junto com a Nova República veio todo o sentimento da nação de que o Brasil passaria para um patamar mais elevado economicamente e socialmente. Tancredo Neves era visto como o grande "salvador da Pátria".

A população sonhava com a diminuição da dívida externa, com mais e melhores empregos e consequentemente melhores salários e, mais que isso, esperava-se a Reforma Agrária.

Tancredo Neves nem chegou a tomar posse, por causa de graves problemas de saúdes. Na véspera de sua posse, 14 de Março foi internado em Brasília e depois transferido para o INCOR (Instituto do Coração) em São Paulo, onde foi submetido a várias cirurgias e faleceu em 21 de Abril de 1985. Junto com Tancredo foi embora parte da esperança de transformação para o Brasil.

Com a morte de Tancredo, assumiu o Vice-Presidente José Sarney.

Pioneirismo Português

Em Portugal ficavam pontos de escala para embarcações que iam do Mediterrâneo em direção ao mar do Norte. Beneficiou o desenvolvimento comercial portuário e formação de próspero grupo mercantil. Com o apoio deste grupo, o rei formou um Estado centralizado em 1385, concentrando os poderes.

O Estado português foi responsável por incentivar o comércio e iniciativas à navegação. Também incentivou combate aos islâmicos e conduziu histórias mostrando uma Índia desconhecida e fantástica, algo como um paraíso terrestre onde os europeus que fossem lá deparavam-se com colméias de mel e casas altas, para ficar próximo de Deus.

Início do séc.XV, sob comando do infante Dom Henrique, especialistas em navegação como: cartógrafos, navegadores e astrônomos, de várias regiões européia, foram atraídos para Lagos, cidade próxima do promuntório de Sagres, com o objetivo de desenvolvimento náutico. Uma atitude crucial para o sucesso das expedições portuguesas.

Colaborou também a localização geográfica favorável da Península Ibérica em relação ao oceano Atlântico, equipamentos como bússola, o quadrante, o astrolábio e também, as caravelas, aliviando o saber de que a Terra é redonda.

Decisivo para o empreendimento português foi a conquista de Ceuta, ao norte africano em 1415, cidade importante entreposto comercial que pertencia a islâmicos. Participaram 200 navios e 50 mil soldados. Ao tomar a cidade, descobriram que os comerciantes se afastaram do local com as riquezas.

Nas décadas seguintes, os portugueses realizaram inúmeras viagens e guerras de conquista pela costa africana. Iniciaram pelo norte, área do Mediterrâneo, depois contornaram a costa em direção ao sul em mar aberto, pelo Atlântico.

Estabeleceram fortalezas e depósitos nestes locais, o que garantiu o monopólio mercantil e riquezas como ouro e marfim. Começou nessa época o comércio de africanos escravos, se tornando com o tempo uma das atividades mais rentáveis para os europeus, disputados pelos portugueses, ingleses, flamengos, dentre outros.

No ano de 1498, os portugueses obteram uma de suas maiores vitórias na expansão marítima: contornaram o litoral africano atingindo Calicute, no litoral da Índia. Comandada por Vasco da Gama, a frota partiu de Portugal com 4 navios e 170 homens. Retornaram tendo perdido 2 navios e 115 homens, mesmo assim a carga trazida compensou os gastos iniciais.

Em 1500, para garantir o poder comercial nas Índias. O Governo português enviou uma esquadra poderosa sob o comando de Pedro Álvares Cabral.

Governo-Geral

Na realidade, a instalação do governo-geral em 1548 possibilitou ao Rei de Portugal um maior controle sobre a colônia e sobre os capitães-donatários, que tinham grande autonomia de governo. O governo-geral era constituído por um governador-geral, o ouvidor-mor e o capitão-mor (Responsável pelas terras). Apesar da instalação do governo-geral, o sistema das capitanias não foi extinto. No entanto, o capitão-donatário ficava submetido agora ao governador-geral.

O primeiro governador-geral foi Thomé de Souza (1549-1553), que incentivou a colonização e construção de cidades. O segundo foi Duarte da Costa (1553-1558), que permitiu a entrada para o interior aos jesuítas na capitania de Sâo Vicente, dando origem às vilas de São Paulo e Santo André e iniciando a exploração do interior.

Duarte da Costa também enfrentou as invasões francesas que chegaram a fundar a França Antártica no Rio de Janeiro. O terceiro governador-geral foi Mem de Sá (1558-1572), que fortaleceu definitivamente o sistema colonial, o monopólio português e expulsou definitivamente os franceses do Brasil, o que não foi muito fácil, pois os franceses aliaram-se aos índios tamoios, que também resistiram à colonização. Mem de Sá também dividiu o governo-geral: um no Rio de Janeiro e outro em Salvador.

Governo José Sarney

A grande dúvida sobre José Sarney era se realmente iria fazer a transição para uma democracia verdadeira tão esperada. José Sarney pertencera ao PDS até pouco antes das eleições e como se sabe, o PDS era o partido de colaboradores do regime militar e Sarney era um claro colaborador.

Apesar das dúvidas, Sarney convocou em 1986 a Assembléia Constituinte para formular uma nova Constituição para o país. Também foram tomadas medidas que levaram à abertura política e social tão esperada. Entre elas estavam a liberalização das atividades sindicais e a livre organização partidária, inclusive com a legalização do PCB e PC do B.

A situação econômica, entretanto, era das piores possíveis. A inflação era alta e muitas vezes, sua elevação devia-se ao próprio governo que tentava salvar a dívida interna. Críticas partiam de todos os lados, trabalhadores e patrões criticavam o governo.

Diante dessa situação, José Sarney lançou o Plano Cruzado em 1986, com a função de resolver esses problemas. Algumas medidas importantes do Plano foram:

- Desvalorização e mudança do nome da moeda, de cruzeiro passou a cruzado.

- Congelamento dos preços durante um ano.

- Congelamento dos salários.

- Início do processo de privatização de empresas estatais.

Durante os primeiros meses do plano, o Governo teve apoio em massa da população que para ajudar na fiscalização dos preços tornou "fiscais do Sarney". O plano também sofreu boicotes, isto é, inúmeros produtos faltavam nos supermercados com o intuito de pressionar o aumento dos preços. Apesar de todas as transformações ocorridas no período Sarney, a situação da população não melhorou muito no período.

A idéia de que tudo se transformaria com o governo democrático desmanchou-se. É bom lembrar que José Sarney sempre representou o interesse da elite econômica, desde o período militar; portanto, pensar que tudo se transformaria era ingenuidade. A inflação chegava a mais de 500% ao ano e os salários não cresciam nesse tirmo.

Os problemas no campo também se agravaram e o Governo não tomou nenhuma medida sobre o assunto. No entanto, o pluripartidarismo e as eleições diretas permitiam a possibilidade de mudança, o que não ocorria no Período Militar.

Capitanias Hereditárias

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Para organizar a colonização, resolveu-se dividir as terras brasileiras em lotes, que passaram a ser chamadas de capitanias, e distribuídas entre alguns membros da pequena nobreza portuguesa, chamados de capitães-donatários. Formaram-se as capitanis hereditárias.

Eram ao todo quinze capitanias, doadas a traze capitães-donatários, que tinham grande poder de mando na sua capitania, ficando submetidos apenas às ordens diretas do Rei.

No entanto, poucas foram as capitanias, que prosperaram economicamente. As que mais enriqueceram foram aquelas que produziam cana-de-açúcar, pois nem todas eram adequadas para o seu plantio. A capitania de Pernambuco foi a primeira a mostrar lucros significativos para Portugal. As outras capitanias, que não andaram no mesmo ritmo, foram até abandonadas por parte dos colonos. Outro problema das capitanias hereditárias foi a difícil comunicação entre elas por causa das longas distâncias que as separavam.

Por estes motivos, a Coroa portuguesa resolveu criar o governo-geral.

Abertura Política

Os movimentos contra o Regime Militar, sufocados no final da década de 60, ressurgiram com força em meados da década de 70. A UNE retorna com grande força política, mas é outro movimento que vai levar milhares de pessoas às ruas e que estava meio desarticulado com o golpe de 1964: o movimento operário.

Em 1978, grandes manifestações operárias ocorrem na região ABC em São Paulo. A Igreja Católica também teve grande importância, principalmente nas denúncias contra os direitos humanos; o livro Brasil Nunca Mais, que traz relatos de torturados pelo regime é o melhor exemplo.

Ao final do governo de Ernesto Geisel começa a abertura política. O AI-5 é revogado, é dada anistia aos presos políticos e exilados que começaram a voltar para o Brasil e no governo de João Figueiredo é restabelecida liberdade partidária. Em 1984, várias lideranças partidárias formaram um cômite e iniciaram o movimento Diretas já.

Em 25 de Abril de 1984 foi votada às Emenda Dante de Oliveira, deputado do PMDB do Mato Grosso, que pretendia aprovar a eleição direta para Presidente. Em Brasília, criou-se um clima de tensão, pois o governo militar não tinha a menor intenção de aprovar a Emenda. Foram proibidas as transmissões da votação. A Emenda não foi aprovada por 22 votos.

Dois canddatos concorreram às eleições indiretas: Paulo Maluf, pelo PDS e com apoio claro dos militares e o candidato da oposição Tancredo Neves. A oposição foi formada por vários partidos que pretendiam o fim do regime e as eleições diretas. Foram eles: o PMDB, PDT, PTB, PT entre outros. Tancredo Neves foi eleito por uma maioria esmagadora e significou o fim da Ditadura Militar, que durou vinte anos. Surgiu a Nova República.

A Economia no Regime Militar

O período pós - 1964 revela um crescimento econômico muito significativo. Os grandes centros urbanos tiveram uma explosão industrial, o que explica também a concentração populacional e a grande migração de nordestinos principalmente para São Paulo e Rio de Janeiro.

Também foi criada a Zona Franca de Manaus, local onde as indústrias poderiam instalar-se e produzir sem pagar impostos. Era uma tentativa para desenvolver todas as regiões do Brasil.

No início da década de 70, começaram as obras da rodovia Transamazônica, que deveria cortar os estados do Pará e do Amazonas. Foram construídas hdroelétricas e inúmeras barragens e a Usina Nuclear Angra I (em Angra dos Reis), que até hoje não mostrou utilidade.

O período do governo Médici foi denominado pelo Ministro da Fazenda, Delfim Neto, como "Milagre Econômico". Só que esse "Milagre" não chegou ao bolso dos trabalhadores, que apesar de reclamarem muito ouviam do Ministro: "Esperem o bolo crescer e aí repartiremos". O "bolo" cresceu mas não foi repartido. A concentração de renda aumentou, ou seja, alguns ficaram com muito e a maioria da população, com quase nada ou nada.

Só que esse "milagre" não durou muito tempo ao contrário, não se passaram mais que 6 anos para a economia decair drasticamente.

Todo crescimento foi conseguido com dinheiro vindo de fora, principalmente Estados Unidos, principal fiador do regime militar desde seu início. A dívida externa brasileira aumentou de forma fantástica nesse período.

Inúmeras multinacionais instalaram filiais no Brasil, só que boa parte dos lucros eram mandados para suas matrizes no exterior. As importações, com raríssimas exceções, sempre foram maiores que as exportações, ficando a balança comercial sempre defasada.

A dependência econômica cresceu muito e o Brasil não deixou de ser um país de economia periférica e isso acarretou uma crise econômica com um grande aumento do desemprego, a diminuição do poder aquisitivo das classes médias da população e aumento inflacionário, tornando inviável o Regime Militar.

A Guerra do Contestado - Parte VII

*O Final de Uma História.

Dissolvida a Expedição do General Setembrino em Abril, nos meses que se seguiram, até Dezembro de 1915, as remanescentes forças militares do Exército e da Polícia de Santa Catarina realizaram a chamada "Operação Varredura", destinada a caçar e eliminar todos os sobreviventes cablocos que haviam liderado piquetes ou se destacado nos combates. Ficaram famosos os fuzilamentos coletivos ocorridos em Perdizinhas e em Butiá Verde, com os cadáveres sendo queimados em meio a grimpas de pinheiros e sepultados entre cercas de taipas de pedras. Com a prisão de Adeodato Ramos, em Janeiro de 1916, sem mais liderança, pouco restou dos grupos rebeldes.

Ao final do conflito, levantaram-se oficialmente as baixas nos efetivos legalistas militares e civis: de 800 a 1 000, entre mortos, feridos e desertores. Por outro lado, estimaram-se as baixas na população civil revoltada: de 5 000 a 8 000, entre mortos, feridos e desaparecidos. O custo da Guerra do Contestado para a União foi de cerca de R$3 000 000, 00, mais os soldos militares.

Com a vitória, quem mais ganhou com o conflito foi o Exército Brasileiro que, vindo de desgastes anteriores desde a Guerra do Paraguai, Campanha de Canudos e participações desarticuladas, desorganizadas e desastrosas nas intervanções em diversos Estados da incipiente República, passou a se apresentar como uma organização nacionalista, sólida e responsável, digno de respeito, assim abrindo caminho para - conforme a pregação de Olavo Bilac - a instituição do Serviço Militar no Brasil.

Cessados os combates na região, em Agosto de 1916, no Rio de Janeiro, os governadores do Paraná e Santa Catarina assinaram um "Acordo de Limites", dividindo entre si o Território Contestado. Com isso, após a homologação do documento pelos legislativos estaduais, os catarinenses assumiram de fato a administração das terras ao Sul dos rios Negro e Iguaçu, nos vales dos rios Timbó, Timbozinho, Paciência e Canoinhas e a Oeste do Rio do Peixe.

Em 19 de Janeiro de 1918, a União anistiou todos os envolvidos. A Guerra do Contestado começaria a entrar para a História do Brasil do Século XX.
O Estado de Santa Catarina encontrou muitas dificuldades para desencadear seu plano de povoamento nas terras que lhe foram anexadas por força do acordo, à vista da sobreposição de títulos sobre as glebas demarcadas e destinadas à colonização. Como grande parte dos imóveis haviam sido legitimados pelo Paraná, antes de 1916, tanto à Companhia EFSPRG como a fazendeiros e a especuladores paranaenses, as questões foram levadas aos tribunais. O Governo Catarinense perdeu todas as ações judiciais movidas contra a Cia. Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande do Sul.

O Governo estadual escolheu como sistema de colonização do Território Contestado a cessão de imensas glebas a particulares, preferencialmente àqueles que compartilhavam o poder político e se propunham à abertura de estradas, titulando-lhes, em parte, as mesmas terras que o Paraná havia concedido à EFSPRG. As ligações rodoviárias foram eleitas como de fundamental importância para a integração catarinense.

A década de 1920 marcaria o início da introdução da modernidade, da efetiva ocupação e do desenvolvimento do Planalto Catarinense, integrando o sertão à faixa litorânea. Entre outros resultados, sobressaíram-se a indústria madeireira e o modelo agrícola minifundiário e policultor, que gerou a agro-indústria.

Efetivamente, o desenvolvimento econômico na Região do Contestado começou quando da chegada das primeiras levas de imigrantes europeus (alemães, italianos, poloneses e ucranianos), que vieram tanto para explorar a floresta, em latifúndios, implantando a indústria da madeira, como trabalhar na agricultura, em minifúndios. As propriedades destinadas à colonização foram divididas em colônias e, em pouco tempo, os núcleos coloniais transformaram-se em povoados.

No Setor Ocidental da Região do Contestado, ao longo do Vale do Rio do Peixe, estes núcleos, mais os antigos arraiais, prosperaram, com o que surgiram novas vilas, algumas delas que se elevaram à categoria de cidades, como Caçador, Videira, Tangará, Capinzal, Piratuba, num primeiro momento, e Rio das Antas, Pinheiro Preto, Ibicarpe, Treze Tilias, Lacerdópolis, Ouro e Ipira, logo em seguida. Destes, mais tarde, nasceram Macieira, Salto Veloso, Arroio Trinta, Luzerna, Iomerê e Jaborá. No Alto Uruguai despontou Concórdia, do qual também originaram-se os municipios de Presidente Castelo Branco, Lindóia do Sul, Ipumirim, Arabutã e Alto Bela Vista.

Em áreas pouco contempladas com projetos de colonização, nos antigos Campos de Palmas-de-Baixo prosperaram as cidades de Água Doce, Catanduvas, Irani e Ponte Serrada. Já Matos Costa surgiu nos antigos Campos de São João, e Calmon nos Campos de São Roque. Fraiburgo originar-se-ia na área do Campo da Dúvida, Taquaruçu e Butiá Verde, enquanto que Lebon Régis, Santa Cecília e Timbó Grande foram as primeiras cidades na Serra do Espigão.

O Municipio de Campos Novos logo cedeu terrenos também para a formação dos munícipios de Herval d'Oeste Velho e Monte Carlo. Em seguida, para Brunópolis, Vargem, Abdon Batista, Zortea e Ibiam. Curitibanos manteve a integridade territorial por muitos anos, até que cedeu terras para Correia Pinto e Ponte Alta, depois para São Cristovão do Sul, Ponte Alta do Norte e Frei Rogério.

Completando o desenvolvimento municipal na Região do Contestado, temos que, no Planalto Norte, desmembrados de Porto União, Canoinhas e Mafra, surgiram os municípios de Três Barras, Irineópolis, Papanduva, Major Vieira, Monte Castelo e Bela Vista do Toldo.
Para a posteridade, o Homem do Contestado legou a Santa Catarina uma herança cultural que incluiu: uma lição de valentia e de bravura, não se submetendo à tirania e à opressão, preferindo lutar e morrer tentando ser livre; a consolidação do exemplar regime de minifúndios policultores, povoando a todos a possibilidade de, mesmo pequeno, ser grande; o nobre sentimento de defesa de seu patrimônio ambiental, desde quando o equilibrio ecológico passou a ser ameaçado pela devastação; finalmente, uma contribuição ímpar na descoberta de caminhos para levar os catarinenses a conquistar a sua cidadania através da ação comunitária.

- Com a ausência de policiamento oficial em Três Barras, a empresa Southen Brazil Lumber & Colonization Company mantinha um quadro próprio de vigilantes. Este Corpo de Segurança, armado de revólveres "Smith & Wesson" e carabinas "Winchester", lembrava a extensão o antigo "Far-West" dos E.U.A no Brasil.

A Guerra do Contestado - Parte VI

*Banditismo no Contestado.

Durante o rigoroso inverno de 1914, quando na região as temperaturas alcançam -10° e há ocorrências de geadas e nevascas, os cablocos se organizavam, iniciando uma fase de banditismo ao atacar as fazendas para roubar gado e grãos e para arregimentar pessoal para reforçar os redutos. Na medida em que se armavam e municiavam, intensificaram os ataques.

Fortemente guarnecida, a cidade catarinense de Canoinhas foi alvo de diversas investidas de grupos comandados por Antônio Tavares Júnior e Bonifácio Papudo, sem êxito, a maior delas em Julho. Na área do Paraná, piquetes de Henrique Wolland, o "Alemãozinho", ocuparam Papanduva de 27 de Agosto à 3 de Setembro. No dia seguinte, o ataque foi dirigido a Itaiópolis.

Quando a serraria da Lumber Company de Três Barras foi ameaçada, seus diretores pediram proteção e, como esta localidade era vizinha a Canoinhas, mas sob administração paranaense, não foi mais possível ao Paraná deixar de se envolver diretamente no conflito.

Atendendo aos apelos dos governantes dos dois Estados, o Ministério da Guerra chamou o General Setembrino de Carvalho, que estava atuando na pacificação dos rebeldes do Padre Cícero, como interventor no Ceará. Quando ele começou a organizar sua expedição, ainda no Rio de Janeiro, os cablocos se lançaram à ofensiva, sob o comando de Francisco Alonso e Venuto Baiano.

No dia 5 de Setembro a serraria e os depósitos de madeira da Lumber Company, de Calmon, foram incendiados, do ataque resultando em apenas um sobrevivente. No dia seguinte, aconteceu o ataque ao povoado de São João. A composição ferroviária, saída de Porto União da Vitória com um destacamento militar sob o comando do Capitão Matos Costa para socorrer Calmon, foi atacada e praticamente dizimada quando chegava a São João, registrando-se a baixa do comandante. Os ataques alcançaram todas as estações ferroviárias, fazendas e lugarejos ao Norte do Rio Caçador.

Assustada, a maioria da população de Porto União da Vitória fugiu para Ponta Grossa. A investida contra o Capitão Matos Costa foi condenada pelo Conselho de Comandantes que, em represália, determinou a execução do mentor do assalto, Venuto Baiano.

Piquetes sob o comando de Agostín Saraiva investiram contra Curitibanos, onde incendiaram parte das casas, expulsaram as autoridades e ocuparam a cidade por três dias. Dali, dirigiram-se para os campos de Lages, levando o pânico à população campeira, até que "Castelhano" foi morto por populares. Outros piquetes saíam do Timbó em direção aos campos do Corisco, investindo contra fazendeiros de Santa Cecília.

No dia 2 de Novembro, o piquete de Chico Alonso atacou a colônia alemã de Rio das Antas. Ali, Alonso foi assassinado por Adeodato Ramos, que o mais temido chefe de redutos, superando o poder de Maria Rosa, que foi destituída do comando geral.

*Expedição Setembrino.

Em Curitiba, o General Setembrino de Carvalho organizou seu Quartel General, mobilizando boa parte do Exército Brasileiro. Chamou seis regimentos de Infantaria, dez batalhões de caçadores, três batalhões de infantaria, quatro regimentos de cavalaria, duas companhias de metralhadoras, um grupo de artilharia de montanha, um batalhão de engenharia, pelotões de trem, seções de ambulância e hospitais de sangue.

Diante da ascensão dos ataques dos sertanejos, dispersos na vasta região, dividiu as forças em quatro colunas, a Norte em Canoinhas, a Leste em Rio Negro, a Oeste em Porto União da Vitória e Rio Caçador e a Sul em Curitibanos, para fazer um grande cerco e, aos poucos, com o estreitamento das linhas armadas, apertar e confinar os rebeldes a um só lugar.

Depois de requisitar e receber tropas de todas as Armas, inclusive a aviação civil do Rio de Janeiro, ele se transferiu de Curitiba para a região em conflito no mês de Dezembro.

Na zona conturnada, em que o tráfego dos trens foi prejudicada, os combates entre os cablocos e os militares eram diários. Aos poucos, o cerco foi sendo apertado, com os sitiados começando a sentir a faltade alimentos, armas, munições, roupas e remédios. Sem mais condições para lutar, centenas de famílias renderam-se aos comandos das colunas. Na mata, a ainda resistência ativa sobrevivia escapando de um reduto para outro. A fome fez com que cavalos, cachorros, cintas, cangalhas, arreios, bruacas e chapéus de couro cru se constituíssem em alimento. Uma nova epidemia de tifo espalhou-se na região no início de 1915, alcançando inclusive militares, como foi o caso do então Aspirante a Oficial, Henrique Teixeira Lott.

O Exército só começou a ter êxito nas suas operações de guerra após a contratação de centenas de civis, habitantes da região que não haviam se envolvido com os rebeldes, conhecedores do terreno, que foram colocados a soldo junto aos destacamentos para guiar e orientar os soldados. Entre estes, chamados de "peludos", descataram-se Fabrício Vieira, Carneirinho, Pedro Ruivo, João Alves de Oliveira, João Göetten Sobrinho, Maximino Morais e Nicolau Fernandes.

Não foi possível o emprego a contento dos aeroplanos em bombardeios. Depois de realizar vôos de observação, o avião pilotado pelo Tenente Ricardo Kirk caiu no dia 1° de Março, quando se dirigia de Porto União da Vitória ao campo de aviação de Rio Caçador, onde seria municiado com bombas para lançar sobre o reduto de Santa Maria. O trágico acontecimento foi registrado no pioneirismo da aviação militar brasileira.

Em Fevereiro, sob o comando geral de Deodato, os cablocos se concentraram no Vale de Santa Maria, no centro da área do Timbó, no coração da Serra do Espigão, um local quase inexpugnável. Ali, resistiram aos bombardeios dos canhões da Coluna Sul, até sucumbirem à valentia de um destacamento da Coluna Norte, comandada pelo Capitão Tertuliano Potyguara, que, depois de um bem sucedido "raid" pelo Timbozinho em Março, avançou pelos rios Timbó e Caçador Grande, dizimando as guardas e redutos, entrando no vale pelo Arrio Santa Maria na Semana da Páscoa.

A carnificina desta expedição, encerrada dia 5 de Abril, onde morreram Maria Rosa e muitos comandantes cablocos, resultou em mais de 1 000 mortos e 6 000 mil casas e casebres incendiados. Os sobreviventes do etnocídio 0 ou genocídeo - conseguiram fugir para outro reduto, o de São Pedro.

- Considerado o último jagunço, o principal líder do Exército Encantado, Adeodato Manoel Ramos, escoltado por soldados do Regimento de Segurança de Santa Catarina, quando sua entrada na prisão de Florianópolis, em 12 de Agosto de 1916, fato que marcou o final da Guerra do Contestado.

- Milhares de Sertanejos, cercados pelo Exército, vencidos pela fome e pelo tifo, entregaram-se para escapar da morte.

A Guerra do Contestado - Parte V

*Caraguatá e o Exército Encantado.

Na área do Distrito de São Sebastião do Sul, Vila de Perdiz Grande, Município de Curitibanos, no alto da Serra do Espigão, o reinado era de antigos farroupilhas e maragatos, dentre eles os irmãos Elias de Morais e Bonifácio Morais, que tiveram suas terras expoliadas pelos "bendegós" promovidos pleo governo catarinense.

A eles juntaram-se integrantes da família Sampaio que, ao lado de membros da família dos Almeida, dos Vidal, dos Crespo, dos Paes de Farias, dos Lima, dos Rocha e outros, eram inimigos do Coronel Albuquerque. Ali, junto a Canhada Funda do Arroio Caraguatá, elegeram uma menina, de apenas 13 anos de idade - Maria Rosa - como Comandante Suprema do Exército Encantado de São Sebastião, naquele momento criado para defender a honra cabloca dos agressores militares.

Tomando conhecimento da nova concentração, o Exército procedeu o reforço da expedição e a substituição do comando, de Pires para o Tenente Coronel José Capitulino Gomes Gameiro, que imediatamente ordenou um ataque frontal a Caraguatá, com mais de 700 homens. Os cablocos não se intimidaram e revidaram, sendo vitoriosos nos combates de corpo-a-corpo do dia 9 de Março ewm mais uma desarticulada e desastrosa investida militar.

Os corpos dos soldados mortos toram pendurados, enforcados, em galhos de pinheiros, para que o odor do putrefamento ao ar livre, afastasse novas tentativas de ataque. A tropa derrotada recuou novamente para Calmon.

Em Caraguatá, as condições de vida salubre eram insatisfatórias. De pronto, ocorreu uma epidemia de febre tifóide, causando muitas mortes. A jovem Maria Rosa, tida como "vigem", ouvindo os líderes rebelados, decidiu empreender a retirada para a região do Timbó, descendo a Serra em direção a Bom Sossego, espalhando as famílias pelos redutos de Peras Brancas, São Pedro, Caçador Grande, Tamanduá, São Sebastião, Santo Antônio, Timbozinho e Vacas Brancas.

Organizou-se o Exército Encantado, inicialmente com 3 000 homens e 2 000 mulheres, com o Conselho de Comandantes, formado pelos líderes dos piquetes-de-briga e chefes-de-redutos, incluindo o Comandante-Geral Elias de Morais, José Aleixo Gonçalves, Eusébio Ferreira dos Santos, Antonio Tavares Júnior, Agostin Saraiva, o "Castelhano" (Sobrinho e Gumerindo Saraiva e de Aparício Saraiva, comandantes maragatos da Revolução Federalista de 1894), Olegário Ramos, Maria Rosa, Joaquim Germano, Conrado Gröbber, Francisco Alonso, Henrique Wolland, Benevenuto Luno, o "Venuto Baiano", este depois verificado como "Paranaense Infiltrado" para jogar a população cabloca catarinense contra o Exército, Sebastião dos Campos, Francisco Paes de Farias, o "Chico Ventura" e Adeotado Ramos, o "Deodato", que viria a ser o mais famoso "jagunço".

A União tratou de ampliar as tropas, chamando destacamentos gaúchos e nomeando o General Carlos Frederico de Mesquita para o comando. O segundo grande ataque ao Reduto de Caraguatá, anunciado à Nação como "vitória", na verdade, foi novo fracasso.

Na missão de extermínio, que juntou 3 000 soldados no Contestado, o Exército bombardeou e metralhou só espaços vazios. Isso não impediu que, em Maio, Mesquita anunciasse o fim da resistência Sertaneja e determinasse o retorno aos quartéis, deixando na região, para a estação do frio inverno que se aproximava, apenas um pequeno destacamento, sob comando do Capitão Matos Costa, ele que, fazendo amizades entre os cablocos, tentou pacificar a revolta e evitaar a organização de nova expedição militar, sem sucesso.

A Guerra do Contestado - Parte IV

*A Guerra do Contestado.

Transcorria o segundo semestre de 1913. A espiritualidade dos monges João Maria e José Maria ainda estava forte na lembrança dos cablocos catarinenses, que recebiam esporádicas visitas anuais missioneiras de padres alemães franciscanos. A autoridade policial e judicial, atrelada aos coronéis da política regional, continuava sendo desconhecida pelo população.

A companhia ferroviária media seus terrenos ocupados pelos sertanejos e iniciara a instalação de colônias com imigrantes alemães, ao mesmo tempo em que a Lumber Company promovia desenfreada devastação florestal e expulsava os desamparados posseiros. Nos tribunais superiores e nas tribunas legislativas, a questão de limites entre os Estados litigantes continuava sendo discutida. Caindo nas mãos de políticos influentes e amigos do poder nas capitais, as terras virgens viraram objeto de especulação imobilária.

Em épocas de eleições, os peões alistados eram reunidos em "currais" para receberem orientações em quem votar. Às milhares de famílias, que sequer eram contadas nos censos, não se estendiam ações de saúde, assistência social, segurança, comunicações e educação.

*Em Taquaruçu, A Deflagração.

Em Setembro de 1913, no mesmo local do quadro-santo original - Taquaruçu - surgiu uma nova "cidade-santa", formada por discípulos e seguidores de João Maria e José Maria, atraídos pelo seduzido e crente fazendeiro Eusébio Ferreira dos Santos e sua neta Teodora, considerada vidente.

O messianismo foi revigorado, com a promessa da ressurreição do finado José Maria. Rapidamente, o local atraiu a população mística, que se concentrou e se organizou. O ajuntamento religioso cabloco chamou a atenção do governo de Santa Catarina que, temendo a repetição do acontecimento de um ano antes, pediu a participação do Exército para dissolvê-lo.

O Paraná, mesmo reconhecendo estar Taquaruçu a Leste do Rio do Peixe, não via com bons olhos a presença militar na região, pois entendia que esta poderia invocar a execução da decisão do STF pró-Santa Catarina na questão de limites.

No dia 15 de Dezembro de 1913, a região assistiu a chegada de forças militares federais e policiais catarinenses em Rio Caçador, em Campos Novos e em Curitibanos, de onde partiram rumo a Taquaruçu. Faltou sincronia, com o quie as colunas de 230 homens se movimentaram em momentos diferentes. Sentindo a proximidade, os cablocos investiram e, no dia 29, derrotaram com pesadas baixas, uma das tropas agressoras, fazendo com o que as demais recuassem, vergonhosamente. Este combate marcou o início da guerra.

Nos primeiros dias de Janeiro de 1914, na Vila de Curitibanos, é assassinado pelo Superintendente local, o cidadão Praxedes Gomes Damasceno, líder comunitário de Taquaryçu, quando tentava recuperar um tropa de mulas cargueiras apreendidas. Isso acirrou os ânimos na "cidade-santa", a ponto de, ali, expulsarem Frei Rogério Neuhaus, que havia tentado dissuadir os ajutandos. O Governo de Santa Catarina fez novo apelo ao Exército, que reuniu uma tropa de 754 homens, sob o comando do Tenente Coronel Duarte de Alleluia Pires, com ordens de efetuar um ataque implacável.

Diante do observado poderio militar, os cablocos decidiram se retirar de Taquaruçu, em direção ao Norte, a Caraguatá, na Serra do Espigão. Na chuvosa noite de 8 de Fevereiro, quando a artilharia iniciou cerrado bombardeio com granadas e bombas Schrapnell, os sertanejos partiram, deixando uma guarda de poucas dezenas de combatentes, que foi dizimada pelas metralhadoras na manhã seguinte. O comando limitar entendeu que houve a dissolução do acampamento cabloco e se retirou para Calmon, com a intenção de regressar aos quartéis.

A Guerra do Contestado - Parte III

*Lumber Company.

Atraído pela riqueza florestal da região contestada, cortada vertical e horizontalmente pelas rodovias, o mesmo Sindicato Farquhar tratou de promover a instalação de uma serraria monumental, a Southern Brazil Lumber & Colonization, com a primeira unidade em Calmon (1908) e, logo depois, em Três Barras (1912).

De paranaenses, a empresa adquiriu milhares de hectares de terras, cobertas pela Floresta da Araucária, utilizando métodos que foram considerados fraudulentos, pois, parte dos títulos expedidos pelo Paraná continham registros em duplicata em Santa Catarina, isso porque ambos transferiam imóveis como terrenos devolutos a fazendeiros-coronéis, políticos que usufruíam as benesses do poder em cada Estado.

Já em 1911, na região de Canoinhas, pela perda de terras, revoltaram-se, o ex-maragato Major Aleixo Gonçalves de Lima, mais Bonifácio José dos Santos, o "Papudo" e Antonio Tavares Júnior, catarinense legítimos, todos desafetos dos pró-paranaenses primos Thomas e Fabrício Vieira, criando confusões armadas. Com seu Corpo de Segurança, fortemente municiado, contratando apenas imigrantes como seus trabalhadores, a partir de 1912 a Lumber começou a investir contra a população sertaneja habitante no interior das matas, expulsando-a-e, com isso, atraindo a ira cabocla, também revoltada pelo abate indiscriminado dos pinheiros centenários.

*Messianismo e Misticismo.

A maioria da população da Região do Contestado era formada por uma população cabocla, pobre e inculta, de índios, negros e luso-brasileiros que, ao longo dos anos, havia se internado nos sertões e nos campos e vivia do cultivo de roças, criação de porcos selvagens, extração da erva-mate, tropeirismo de carga e trabalhava nas fazendas de criação de gado como peões ou agregados.

A forte ascendência portuguesa dos cablocos abrigava a crença importada do sebastianismo lusitano. Assim, a população revelava expressões de messianismo e de muito misticismo. Diante da ausência praticamente total da Igreja Católica, os sertanejos buscaram conforto espiritual nos monges, profetas, curandeiros, pregadores e eremitas, que peregrinavam pela região, dentre eles destacando-se dois, de nomes João Maria de Agostinho e João Maria de Jesus.

Quando os monges, confundidos como um só na figura imaginária de São João Maria, desapareceram, surgiu outro, Miguel Lucena de Boaventura, que adotou o nome de José Maria, o qual, depois de sair de Palmas, no Paraná, chegou à região de Taquaruçu, em Santa Catarina, onde foi acolhido como irmão de João Maria e tido com "novo monge". O superintendente de Curitibanos, Francisco Ferreira de Albuquerque, sentindo ameaçada sua autoridade, anunciou retaliação, com o que José Maria decidiu regressar ao Irani, nos campos-de-baixo de Palmas, acompanhado por escolta popular.

*Combate do Irani.

O Paraná, que dava proteção ao Sindicato Farquhar, protegia todas as terras na área do vale do Timbó e a Oeste do Rio do Peixe, que estavam sob sua administração. Mesmo assim, não conseguiu impedir a instalação de alguns posseiros, na maioria ex-maragatos riograndenses, como os Fragoso e os Fabrício das Neves, nos campos do Irani. Ali, um gupo econômico paulista, ligado a Farquhar, que havia adquirido a Fazenda Irani com a intenção de instalar a Companhia Frigorífica e Pastoril, desistiu do plano e revendeu o imóvel a figuras paranaenses importantes.

Em Outubro de 1912, um pequeno grupo de catarinenses, que havia acampado em Taquaruçu e ali formado um "quadro-santo", acompanhando o curandeiro José Maria, ao ser expulso pelo Superintendente de Curitibanos, atravessou o Rio do Peixe, refugiando-se no povoado de São João do Irani. Com o acirramento das tensões na questão de limites e intrigas por terras, a atitude foi considerada como uma invasão de catarinenses, merecedora de retaliação armada.

O Paraná enviou à área uma expressiva força do seu Regimento de Segurança para expulsar os pseudo-invasores, vindo a combater com os defensores de José Maria no Banhado Grande, resultando na morte do curandeiro e do comandante militar, além de dezenas de envolvidos, o que provocou grande consternação em Curitiba.

*Descaso Governamental.

As oligarquias que se consolidaram já nos primeiros tempos da República Velha, enquanto no poder, desleixavam em relação ao Território Contestado, permitindo que, aos homens bons que aqui se instalavam, sem controle, misturassem-se aventureiros, pessoas de má índole, perversas, desqualificadas social e moralmente.

As riquezas naturais da Região do Contestado só foram percebidas pelo palácio florianopolitano depois que a estrada-de-ferro rasgou o território, depois que a madeireira Lumber iniciou a devastação da Floresta da Araucária, depois que enxergou o quanto o Paraná arrecadava com impostos sobre os ervais nativos e depois que constatou que, se houvesse um plesbecito, a população optaria pelo Estado-presente, o Paraná, e pelo Governo-presente, o paranaense.

Os valores humanos desta região só foram percebidos quando já era tarde demais. Ao invés de acolher, assistir, proteger e animar o Homem do Contestado, tratando-o como catarinense legítimo, como um desbravador, desprezou-o, preferindo ouvir os coronéis-de-roça e os chefetes-de-aldeia que sustentavam a oligarquia às custas da pobre gente cabesteada.

Percebe-se que os discursos veiculados pela imprensa nacional e dos estados contribuiram, de alguma forma, para consolidar a imagem do sertanejo como um mestiço inferior, através de suas características de fanático e criminoso, dos militares como bravos guerreiros e dos grandes proprietários de terras como vítimas do conflito social que envolveu o homem do campo. Assim, ignoradas questões de ordem social, política e econômica, o movimento do Contestado foi lançado na história oficial a partir do pensamento das elites intelectuais dominantes, que apenas retrata um modo de pensar "branco", a visão dos militares e o coronelismo da época. Esta mesma inha de pensamento teve sequência na História pelos oficiais de um caboclo inculto, selvagem, bárbaro, fanático, desamparado, analfabeto, bandido, criminoso, bandoleiro, terminologia de prensença constante na imprensa, quase que simultaneamente passou para as obras dos oficiais do Exército.

*Nacionalismo e Militarismo.

A Guerra do Contestado aconteceu num momento em que começava a criar raízes no Brasil a Liga de Defesa Nacional e a Campanha do Serviço Militar, anunciadas futuras instituições que só sensibilizariam a população, se fosse fortalecido o Exército Brasileiro.

Ao lado dos militares, muitas pessoas desempenharam este tipo de apostolado cívico, pró-cidadania, pró-patriotismo, pró-Exército. Na sua gestão 1914-1918, Wenceslau Braz impôs sua liderança à Nação. Para cativar os militaresm utilizou todo o seu prestígio para restaurar o comando presidencial sobre as Forças Armadas. Então, deu continuidade ao programa de profissionalização do alistamento militar, que havia sido iniciado em 1908 pelo Marechal Hermes da Fonseca, ainda quando Ministro da Guerra, mas que não pôde conduzi-lo enquanto Presidente, devido ao caos político reinante.

Em 1914, no tempo que precedeu a I Guerra Mundial, os brasileiros tinham desviadas suas atenções sobre os problemas sociais e políticos internos, para o entusiasmo pelo militarismo, patriotismo e nacionalismo.

O movimento cívico-patriótico brasileiro, que viria a se intensificar a partir de 1917, canalizou-se na Liga de Defesa Naconal, com a entrada do Brasil na Guerra, em Outubro deste ano. Coincidindo com o final da intervenção direta do Exértico Brasileiro na Guerra do Contestado, Olavo Bilac expunha seu pensamento sobre o momento histórico da consciência nacional naqueles anos. Aderindo à conclamação pelo serviço militar obrigatório no Brasil, Bilac denunciava a falta de patriotismo, pregando que a Nação só se ergueria com um Exército Forte.

As palavras de Olavo Bilac, também criticando as elites políticas brasileiras, aplaudidas pelos militares, servem para justificar - entre outras justificativas - porque as operações de forças do Exército Brasileiro eram sobejamente destacadas e valorizadas pela imprensa (nacionalista e patriótica) e porque as intervenções de seus oficiais (heróis nacionais) ganhavam brilho em todas as páginas, como aconteceu durante e depois da Guerra do Contestado.

A Guerra do Contestado - Parte II

*Antecedentes e Precedentes.

Para saber desta guerra que, para efeito de estudos, divide-se em três momentos, de fanatismo, de banditismo e de genocídio, faz-se necessário conhecer alguns antecedentes e precedentes.

*Questão de Limites.

Desde a formação do Império Brasileiro, as províncias de São Paulo e Santa Catarina não conheciam seus limites. Em 1853, com a criação da Província do Paraná, desmembrada de São Paulo, abriu-se o debate sobre a linha limítrofe, discussão que passou a ser mais acirrada entre as duas unidades da federação após a Proclamação da República.

A questão envolvia o chamado "Território Contestado", localizado entre osrios Iguaçu (Norte) e Uruguai (Sul), da Serra Geral (Leste) até a fronteira com a Argentina (Oeste), na época sob administração paranaense.

Enquando as partes discutiam fórmulas para resolver o assunto, o Império havia decidido em 1879 que, provisoriamente, caberia ao Paraná administrar as terras a Oeste do Rio do Peixe. Em 1900, o Governo de Santa Catarina impetrou ação judicial contra o Estado do Paraná no Supremo Tribunal Federal, reclamando direitos sobre todo o território.

Em 1904, a Corte manifestou-se oficialmente pró-Santa Catarina, decisão que foi confirmada em 1909 e ratificada em 1910, determinando que os paranaenses entregassem a administração das terras aos catarinenses.

O Governo do Paraná, apoiado peloa população, rebelou-se e não aceitou a decisão, com o que criou um impasse jurídico-administrativo no País, enquanto Santa Catarina ficou na expectativa.

Na disputa por limites, envolvendo questões de posse de terras e exploração de ervais, três confrontos importantes antecederam a Guerra do Contestado.

- O Primeiro: em Dezembro de 1905 e em Janeiro de 1906, na Vila Nova do Timbó, Demétrio Ramos, ex-maragato, primo do governador catarinense Vidal Ramos Júnior, depois de se desentender com seu antigo desafeto Capitão Fabrício Vieira, ex-pica-pau, reuniu 600 homens e, por duas oportunidades, enfrentou a força policial do Paraná e um destacamento do Exército.

- O Segundo: em Setembro de 1909, o ex-maragato e catarinense Coronel Aleixo Gonçalves de Lima, à frente de 500 homens da Guarda Nacional, invadiu uma área que o Paraná dizia ser sua na Estrada Dona Francisca, afugentando a força policial paranaense que protegia uma barreira de impostos próxima a São Bento. A reação foi imediata, mas Aleixo retirou-se e entrou em Joinville como vitorioso, irritando o Governo do Paraná.

- O Terceiro: em Outubro de 1912 o Governo do Paraná entendeu como invasão catarinense a presença de um grupo civil que protegia o retirante de Taquaruçu, monge José Maria em São João do Irani e mandou o Regimento de Sgurança para enfrentá-lo, o que aconeceu no Combate do Banhado Grande.

*Estrada de Ferro.

Durante a questão de limites, em 1906, no interior nas terras contestadas, entre os rios Iguaçu e Uruguai, marginais ao Rio do Peixe, começou a ser constituído um trecho de 372Km da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, para efetuar a ligação entre Itararé (SP) e Santa Maria (RS). Ao mesmo tempo, desde 1911, estava em andamento na região a construção de outro trecho, entre o porto de São Francisco do Sul e Porto União da Vitória (No Rio Iguaçu), parte de uma projetada ferrovia que demandaria até Assunção, no Paraguai.

Estes trechos, com obras vagarosas até 1908, foram incorporados pelo truste norte-americano Percival Farquhar, que comprou a concessão federal e havia constituído a Holding Brazil Railway Company. Em pagamento, além da garantia de juros pelo capital investido, a Companhia Estrada de Ferro SP-RS, que rasgou o Contestado com os trilhos - em forma de cruz - de 1908 a Dezembro de 1910, teve o direito de receber terras devolutas, destinadas à colonização com imigrantes, revoltando população sertaneja local, que ficou impedida de requerer posse. Para piorar o quadro, milhares de trabalhadores trazidos de várias partes do país pela empresa, despedidos das obras entre 1911 e 1912, se embrenharam no sertão.

 
Copyright © 2006-2011 - Pédia Online