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Bandeirantismo

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A Capitania de São Vicente foi a primeira província a ter um engenho de açúcar, porém nunca prosperou devido a vários fatores:

- A grande distância entre São Vicente e a Metrópole.

- Pequena produção de cana-de-açúcar devido à infertilidade de seus solos.

- Falta de espaço para expansão, pois a faixa litorânea era estreita.

Com o fracasso na instalação de uma economia voltada à exportação, Portugal foi gradativamente perdendo o interesse na região.

Dessa forma a região foi isolada e empobreceu pela falta de recursos, o que acabou sendo a válvula propulsora do bandeirantismo, pois nada mais prendia os paulistas à região: eles a deixariam assim que aparecesse uma outra atividade compensadora.

O Movimento Tenentista (1922 - 1924)

Novamente, a cidade do Rio de Janeiro é palco de outra revolta: dessa vez são os tenentes que vão manifestar sua insatisfação contra o governo. Nessa época, apenas os altos oficiais do Exército estavam satisfeitos com seus soldados e promoções.

Os tenentes contestavam a política do café com leite, as fraudes eleitorais, a corrupção e a instabilidade econômica em que se encontrava o país. O movimento começou em 1922 no Forte de Copacabana, onde 17 militares e 1 civil - os 18 do Forte - tomaram o seu controle, mas em pouco tempo foi debelada.

Exatamente dois anos depois, em 5 de Julho de 1924, a revolta dos tenentes deu-se em São Paulo. Após um mês de combate, os revoltosos se retiraram para o interior do estado, influenciados pelos ideais socialistas e nacionalistas.

Nesse mesmo período, um outro grupo de tenentes rebela-se em Santo Ângelo e, liderados por Luís Carlos Prestes, juntaram-se aos tenentes paulistas e sairam em marcha pelo país, que ficou conhecido como Coluna Prestes.

Por onde passavam, os tenentes eram perseguidos pela polícia e, após terem percorrido quase todas as regiões do país, os tenentes, em sua maioria, exilam-se na Bolívia e retornam à cena política nacional apenas em 1929.

A Revolta da Chibata

A Revolta da Chibata também aconteceu no Rio de Janeiro. Dessa vez, foram os marinheiros que se revoltaram contra os terríveis castigos físicos a que eram submetidos. Para pequenas faltas cometidas, o marinheiro levava 25 chibatadas.

Em 22 de Novembro de 1910, após o praça Marcelino Rodrigues Menezes levar 25 chibatadas na frente da tropa, começou a Revolta. Os marinheiros, liderados por João Cândido (conhecido a partir daí, como Almirante Negro), tomaram os navios encouraçados Minas Gerais e São Paulo e pediram o fim dos castigos corporais.

O presidente Marechal Hermes da Fonseca aboliu os castigos corporais e daria anistia a todos aqueles que se entregassem, e foi o que fez a maioria. O que foi um terrível engano.

Após a deposição das armas, a maioria dos rebeldes foram presos e expulsos da Marinha. Alguns foram fuzilados ou eram desterrados para a Amazônia; outros, como João Cãndido foram levados à Ilha das Cabras. João Cândido sobreviveu e, assim que voltou, foi internado num hospital de loucos e faleceu em 1969.

A Revolta da Vacina (1904)

A revolta da vacina aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, durante as obras de reurbanização e saneamento do centro da cidade, realizadas no governo de Rodrigues Alves.

Essas obras, embora importantes do ponto de vista sanitário, exigiram grandes sacrifícios da população mais carente da cidade, pois implicavam na erradicação dos cortiços e casebres da região central da cidade, obrigando seus moradores a se mudarem para a periferia ou para os morros.

Outra medida saneadora desse processo de transformação urbana, era o combate às doenças endêmicas que assolavam a cidade, como a peste bubônica, a febre amarela e a varíola.

O responsável pela Saúde Pública do governo era o médico sanitarista Osvaldo Cruz, que além de medidas como matar os ratos e combater os mosquitos, determinou a vacinação obrigatória da população.

Insatisfeira com o problema de moradia, agravado pelo alto índice de desemprego da época, a população se rebelou à obrigatoriedade da vacina, dando início à revolta: milhares de pessoas saem às ruas apedrejando bondes, saqueando o comércio, espancando policiais etc. Durante alguns dias a cidade tornou-se um verdadeiro campo de batalha.

Forças contrárias ao governo tentaram usar o movimento popular para derrubar o presidente, mas a revolta foi derrotada por tropas fiéis a Rodrigues Alves.
O saldo foram várias mortes, prisão de centenas de pessoas e até deportação.

A Guerra do Contestado (1912 - 1916)

A revolta do Contestado ocorreu numa região tradicionalmente conflitante, localizada entre os Estados do Paraná e Santa Catarina: ambos queriam o controle sobre as terras.

Nessa região imperavam a miséria e o latifúndio, e, tal como no Nordeste, era controlada por coronéis que detinham boa parte das teras, deixando uma massa de camponeses sem trabalho.

Também foi construída na região uma ferrovia que ligava São Paulo ao Rio Grande do Sul. Ao término da construção, milhares de trabalhadores foram abandonados e ficaram desempregados na região.

Para agravar ainda mais a situação, um grupo ligado à empresa que construiu a ferrovia comprou 180 mil hectares de terra para fazer uma madeireira, expulsando os camponeses.

O movimento deflagrado por esses sertanejos que se sentiam expulsos de suas terras, foi encabeçado pelo líder religioso José Maria, que travou combates durante três anos, e ganhou dimensões assustadoras aos olhos do governo central, que novamente, deu ordens para arrasar o movimento.

Tropas oficiais destruíram várias "Vilas Santas", matando mulheres casadas, velhos e crianças, pondo fim ao movimento.

O Cangaço

O cangaço surgiu no sertão nordestino em torno de 1870. Os nordestinos estavam cansados da terrível situação em que viviam por causa da falta de água, de terra e contra a crueldade dos coronéis, que submetiam o nordestino pobre a um regime de semi-escravidão em seus latifúndios.

Os cangaceiros eram, em grande parte, jagunços que não aceitavam mais as imposições dos coronéis. Partiram em grandes grupos pelo sertão de vários estados nordestinos, saqueando vilas e fazendas de coronéis, espalhando morte e o medo por onde passavam.

Mas, os vilarejos miseráveis não tinham o que reclamar dos cangaceiros: ao contrário, os cangaceiros eram vistos como heróis, pois traziam comidas e remédios para esses vilarejos.

O mais famoso dos cangaceiros foi Lampião, que desafiou as autoridades até sua morte. Pego numa emboscada juntamente com seu bando de 11 cangaceiros foram totalmente massacrados. Suas cabeças foram cortadas e levadas a Maceió como prêmio.

O último foco do cangaço foi eliminado em 1940 com a morte de Corisco, que chegou a ser o braço direito de Lampião. O cangaço foi eliminado na verdade por um Estado que tenta modernizar-se e se opõe a poderes paralelos.

O Coronelismo

Na realidade, o coronelismo já existia desde os tempos do Império. Os coronéis eram em sua maioria latinfundiários que se localizavam no nordeste. Essas regiões sob o comando de coronéis estava em sua grande maioria, no nordeste.

Por causa da miséria, da falta de terras e águas, os coronéis possuíam dentro de suas propriedades açudes água, o que fazia com que tivessem grande poder sobre a massa de miseráveis. Também controlava todo o sistema eleitoral e os cargos públicos.

Nas eleições, a maioria dos eleitores (a partir de 1889, o voto deixa de ser censitário e qualquer homem com mais de 21 anos podia votar), já recebia o seu voto pronto, ou seja,a os jagunços (como se fossem policiais do coronel), entregavam a cédula eleitoral com o voto marcado. Como não existia o voto secreto os coronéis tinham o controle sobre seus eleitores. Esse tipo de voto ficou conhecido como "voto de cabresto".

O coronel eleito distribuía os cargos políticos para seus parentes dando continuidade ao seu poder. O mais interessante é que ainda existem coronéis no Brasil.

República Oligárquica: Política Café com Leite

O governo de Prudente de Morais inicia-se um novo momento da república: a República das Oligarquias.

A proclamação da República, como se sabe, trouxe um novo grupo que vai comandar a políticas nacional: a burguesia cafeeira. A partir do governo de Rodrigues Alves, a presidência vai ser dividida entre mineiros e paulistas; ou seja, numa eleição, os paulistas apoiavam mineiros e, na eleição seguinte acontecia o oposto mineiros apoiavam paulistas e assim por diante. Esse período ficou conhecido como República do Café com Leite.

Como se vê no quadro a seguir, os governos foram divididos entre mineiros e paulistas, que se apoiavam reciprocamente, mas quando algum presidente não era nascido no eixo São Paulo-Minas Gerais, tinha o apoio dos cafeicultores.

Os cafeicultores exerceram um poder quase que absoluto sobre a política desde 1894 até 1930. Esse período foi marcado por políticas econômicas que privilegiavam exclusivamente a produção do café. Sempre que a exportação do café diminuía, encontrava-se uma maneira de não fazer o preço cair e os cafeicultores terem prejuízos. A produção de café, assim como a do açúcar nos séculos XVI e XVII, estava totalmente voltada para o mercado externo.

O exemplo mais claro dessas políticas que privilegiavam o café foi o Convênio de Taubaté.

Foi formulado em 1906 pelos governadores do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais e dizia o seguinte:

- Os governadores estaduais deveriam maneter um preço mínimo para as sacas de café nos portos de embarque.

- O governo deveria comprar parte da produção, ou seja, aquilo que não fosse consumido pelo mercado externo.

Dessa maneira, os produtores de café não teriam prejuízo com qualquer problema nas exportações. Mas, esse tipo de política prejudica, na realidade toda a população, pois, o café era comprado com dinheiro público, só que a população não via a cor do café, que apodrecia em grandes armazéns. Como se vê, as dívidas dos cafeicultores eram pagas com dinheiro público.
 
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