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Biblioteca de Alexandria

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A Biblioteca de Alexandria foi uma das maiores bibliotecas do mundo e se localizava na cidade de Alexandria. Considera-se que tenha sido fundada no início do século 3 a.C. no Egito.

As Intistuições da antiga biblioteca de Alexandria tinha como o principal objetivo preservar e divulgar a cultura nacional. Se tornou um grande centro de comércio e fabricação de papiros. Estima-se que a biblioteca tenha armazenado mais de 400.000 rolos de papiro, podendo ter chegado a 700.000.

Foi destruída parcialmente inúmeras vezes, até que em 646 foi queimada por completo pelos árabes.Uma nova biblioteca foi inaugurada em 2003 próxima ao sítio da antiga. A actual biblioteca pretende ser um dos centros de conhecimento mais importantes do mundo.

Sua estrutura, que tem o nome oficial de Bibliotheca Alexandrina, integra, quatro bibliotecas especializadas, laboratórios, um planetário, um museu de ciências e um de caligrafia e uma sala de congresso e de exposições.

História

*A Linha do Tempo.

Para facilitar o estudo da história, o método utilizado é a linha do tempo, A linha do tempo vai do surgimento do homem na Terra até os tempos atuais e divide-se em grandes períodos históricos: Pré-História, Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna, Idade Contemporânea.

- Pré-História: inicia-se com o surgimento do homem na Terra, há 3 milhões de anos e vai até o surgimento da escrita, há 3500 a.C.

- Idade Antiga: inicia-se com o surgimento da escrita e vai até a invasão dos bárbaros no Império Romano Ocidental em 476.

- Idade Média: inicia-se com o fim do Império Romano Ocidental e vai até a invasão dos turcos em Constantinopla em 1453.

- Idade Moderna: com a invasão de Constantinopla iniciaram-se as chamadas Grandes Navegações e começa a Idade Moderna que vai acabar com a Revolução Francesa em 1789.

- Idade Contemporânea: inicia-se com a Revolução Francesa e vai até os dias de hoje.

Apesar de facilitar o estudo da História, essa divisão privilegia apenas a história ocidental cristã, pois os fatos tratam apenas da história européia. Essa divisão tem significado para os europeus e para aqueles que descendem da sua cultura (nós, americanos, por exemplo), mas, não tem significado para os chineses, pois a história dos chineses é totalmente diferente.

Também devemos observar que a linha do tempo é dividida em duas partes: antes de Cristo (a.C) e depois de Cristo (d.C). O marco zero da história da humanidade, seria, então, o nascimento de Jesus Cristo, pois, toda a história ocorrida antes do nascimento de Cristo é decrescente - e tudo que ocorre depois é crescente.

Os judeus já passaram do ano 5000, os hindus ou japoneses também não utilizam o nascimento de Cristo para sua contagem dos anos. Portanto, deve-se sempre questionar os conceitos que são passados, para ver se realmente condiz com a realidade.

Outro ponto que deve ser levado em consideração é que a história nunca se fez apenas com alguns grandes fatos e grandes personagens. A história é um processo que está sempre em transformação e todos os seres humanos participam deste processo.

*A Pré História do Homem.

Segundo os estudiosos, os primeiros homens surgiram na face da Terra há cerca de 3 milhões de anos. No entanto, esses homens não eram como nós, mas semelhantes ao macaco, e com o passar dos séculos, foram transformando-se.

0Essas transformações sofridas pelo homem classificam-se da seguinte maneira: Australopithecus, Homo habilis, Homo sapiens. O Australopithecus surgiu há três milhões de anos e suas características eram semelhantes às do macaco; o Homo habilis - Homem Hábil, viveu há 2 milhões de anos e inventou as primeiras ferramentas para o seu uso; o Homo erectus - Homem que se mantém de pé, viveu há um milhão de anos aproximadamente e obteve grande agilidade com seu corpo; Homo sapiens - homem que sabe, soube conciliar com melhor eficiência sua capacidade física com a mental dando origem ao homem moderno qeu surgiu entre 37 mil e 10 mil anos atrás e é denominado pelos arqueólogos de Homem de Cro-Magon.

A pré-história do homem é dividida em dois períodos: Idade da Pedra e Idade dos Metais. A Idade da Pedra tem esse nome pois os utensílios utilizados eram de pedra e também pode ser dividida em dois períodos: Paleolítico e Neolítico.

*Paleolítico.

Idade da Pedra Lascada, recebe este nome, pois os homens utilizavam as pedras em seu formato natural como utensílios. Neste período os homens eram nômades, ou seja, deslocando-se de um lugar para outro, atrás de alimentos, pois, ainda não sabiam cultivar terra ou criar animais. Iniciando-se 1 milhão de anos, deu inicio ao Neolítico.

*Neolítico.

Idade da Pedra Polida, neste período o homem soube transformar os elementos da natureza em benefício próprio, trazendo assim, novos elementos, como os vasos de barro. O homem também deixou de ser nômade, pois descobriu a técnica de semear a terra e passou a criar gado, transformando totalmente sua maneira de viver.

*A Idade dos Metais.

O período tem esse nome, pois, a partir do quarto milênio antes de Cristo o homem descobriu a utilidade do cobre, em seguida veio o bronze e, sendo esses metais de fácil transformação, passaram a ser muito mais utilizados do que a pedra para os utensílios. Este período também marca o fim da prá-história com o surgimento da escrita.

Grécia Antiga

*Os Gregos.

A civilização grega, apesar da influência que sofreu dos fenícios e dos mesopotâmicos, inaugurou o pensamento ocidental. A maneira de pensar, o raciocínio, a lógica, e as diferentes formas de governo são algumas das influências que permanecem até hoje.

Os gregos acreditavam também em vários deuses e que eles interferiam constantemente na vida terrestre, entretanto, acreditavam no valor dos homens. Valorizavam muito a beleza corporal e a grande capacidade do raciocínio humano.

A história da Grécia Antiga divide-se em 3 períodos: Período Homérico, Período Arcaico e Período Clássico.

*Período Homérico 1200 à 800 a.C).

Esse período leva esse nome por causa do poeta grego Homero que escreveu os livros Ilíada e Odisséia que narram acontecimentos que ocorreram neste período. O Período Homérico é marcado pelos clãs, ou seja, comunidades baseadas no parentesco. As desigualdades sociais praticamente não existiam e a propriedade privada também não existia.

Com o crescimento populacional, começaram a faltar terras o que levou ao deslocamento de muitas pessoas em busca de terras. Essa movimentação deu origem a novas aldeias, que com o passar dos tempos tornaram-se cidades-Estados.

*Período Arcaico (800 à 500 a.C).

É neste período desenvolveram as cidades-Estados. Também desenvolveram-se as atividades comerciais dos gregos, o que levou ao início da colonização grega no Mediterrâneo.

*Período Clássico (500 a 338 a.C).

Período de grande esplendor de Grécia. Atenas, sob comando de Pericles, tornou-se a principal cidade-Estado. Desenvolveu-se a democracia ateniense. Os gregos, neste período, enfrentaram os persas e saíram vitoriosos. No entanto, esse período de esplendor durou pouco tempo, pois a rivalidade entre as cidades Atenas e Esparta levou à Guerra do Peloponeso e ao início da hegemonia grega.

*As Guerras Médicas.

No século V a.C, os persas pretendiam aumentar seu império, que se estendia desde a Pérsia até a Palestina e a Fenícia. Ao tentarem expandir seu território pelo mar Mediterrâneo, entraram em conflito com os gregos.

A primeira batalha ocorreu em 490 a.C na Planície de Maratona. Os gregos, liderados pelo General Milcíades derrotaram as tropas de Dario. Depois, liderados por Xerxes, os persas foram derrotados na batalha naval de Salamina (480 a.C) e em Platéia (472 a.C) foram totalmente derrotados.

*A Guerra do Peloponeso.

Atenas, no final do século V era, a principal cidade-Estado de Grécia e liderava a Confederação de Delos, que reunia várias cidades-Estados, e Atenas, com seu poder, conseguia sempre fazer valer seus direitos.

Esparta também era uma grande cidade-Estado da Grécia Antiga e, por sua vez, liderava uma outra confederação, a líga do Peloponeso.

A guerra se deu porque Atenas enfrentou problemas comerciais com Corinto (cidade que fazia parte da liga do Peloponeso). Foram anos de batalha até que Esparta saísse vitoriosa da guerra, tornando-se agrande cidade-Estado da Grécia.

*A Democracia Grega.

O criador da democracia grega foi Clístenes, que governou Atenas entre 508 a 507 a.C. Clístenes pretendia tornar todos os cidadãos de Atenas iguais, queria fazer com que todos os cidadãos tivessem os mesmos direitos, que todos fossem iguais.

É importante lembrar que nem todos os moradores de Atenas eram considerados cidadãos. A maioria dos moradores de Atenas eram escravos e, portanto, a democracia privilegiada uma minoria da população. A igualdade de direitos era apenas para uns poucos.

*A Cultura Grega.

Os gregos e o seu modo de raciocínio destacaram-se em vários campos científicos, seu modo de pensar influenciou a ciência ainda hoje.

Entre outros, os gregos mais destacados foram Pitágoras na matemática, Arquimedes na física, Hipócrates na medicina e vários filósofos destacaram-se: Platão, Sócrates, Zenão, Epicuro, Parmênides e outros.

Mas não foi apenas na ciência que se destacaram. As artes também foram muito exploradas pelos gregos. Nas esculturas, os gregos valorizaram o homem e não deuses, como era freqüente. A beleza física de homens e mulheres foi a principal inspiração para os escultores. Oteatro grego também tornou-se famoso. ÉSquilo, Sófocles e Aristófanes são alguns dos principais autores.

Os gregos também deram especial atenção para a História: Heródoto foi o primeiro; depois vieram Tucídides, Xenofonte e outros. A valorização do corpo e da mente (mens sana in corpore sano) também deu origem aos Jogos Olímpicos, que visavam prestigiar o homem e eram um momento de confraternização entre os povos que compunham a Grécia.

Como se vê, em quase todos os campos (ciência, arte, esportes) os gregos deram sua colaboração na formação do mundo ocidental.



Fonte da Imagem: www.suapesquisa.com

As Navegações

*A Expansão Marítima e Comercial.

Apesar de todo o crescimento das cidades e do grande enriquecimento da burguesia, existia um monópolio comercial. A entrada de produtos de grande procura na Europa como especiarias (canela, cravo, pimenta, noz-moscada e gengibre) e artigos de luxo (porcelana, tecidos finos e perfumes) era pelas cidades de Gênova e Veneza. Essas duas cidades controlavam o comércio, o que desagradava a burguesia de outras regiões de Europa que dependiam dos genoveses e venezianos.

A queda da cidade de Constantinopla, que havia sido invadida pelos turcos otomanos em 1453 ameaçou o comércio entre Oriente e Ocidente. Os turcos aumentaram absurdamente os preços dos produtos, tornando quase inacessível os produtos. A invasão de Constantinopla foi o fator decisivo na busca de novas rotas para que os comerciantes europeus continuassem com seu trabalho e para quebrar o monopólio comercial exercido pelos italianos.

*A Navegação Espanhola e Portuguesa.

O primeiro pais que saiu pelos mares em busca de novas rotas comerciais foi Portugal. A expansão portuguesa aconteceu porque Portugal foi o primeiro Estado Nacional da Europa, pois, com a expulsão dos árabes, o Rei D. João I conseguiu centralizar o poder em susa mãos com o apoio da burguesia. O Estado português, a partir de então, voltou suas atividades para o desenvolvimento comercial e a expansão marítima.

A navegação portuguesa obteve êxitos desde o início do século XV. Em 1415 conquistaram Ceuta, no norte da África. A partir desta data, a expansão não parou mais, Portugal conquistou várias regiões da África até chegar ao seu principal objetivo as Índias. Em 198, Vasco da Gama atinge a cidade de Calicute e em 1500 Pedro ÁLvares Cabral chega ao Brasil.

O avanço da navegação portuguesa também se deve à alguns avanços técnicos alcançados na época. Por exemplo: a invenção da bússola, da navegação à vela e da nova cartografia (estudo de mapas). Em Portugal, foi criada em meados do século V a famosa escola de navegação de Sagres, que foi modelo para toda a Europa.

Na Espanha, a expansão pelos mares iniciou-se um pouco mais tarde, também a partir do momento em que o rei Fernando conseguiu expulsar os árabes e centralizar o poder em suas mãos. Apesar de se lançar ao mar depois de Portugal, a navegação espanhola conseguiu um êxito muito maior e mais rápido com a chegada do navegador Cristóvão Colombo à América em 1492.



Fonte da Imagem: cdcc.sc.usp.br

O Renascimento

*O Renascimento.

O Renascimento foi um grande movimento cultural e científico que se iniciou no século XIV e que transformou a visão de mundo dos europeus.

Essa nova cultura, que se contrapunha à cultura medieval, iniciou-se, segundo alguns historiadores, com o escritor italiano Petrarca, que valorizava ao máximo a cultura clássica greco-romana e que foi a grande inspiração do Renascimento, e é justamente por causa dessa inspiração que o movimento tem esse nome, pois tenta renascer a cultura clássica.

O apogeu, no entanto, do movimento renascentista aconteceu nos séculos XV, XVI e início do XVII. Neste período apareceram inúmeros artistas e cientistas em diversas regiões da Europa. Mas, para esse movimento crescer de maneira que cresceu, alguns fatores contribuíram, e muito. O primeiro foi o surgimento da imprensa, criada pelo alemão Johann Gutenberg (1396 - 1468). Com a imprensa, os livros deixaram de ser escritos à mão e passaram a ser imprimidos, o que causou uma transformação fantástica, pois podia-se imprimir muito mais livros tornando-os mais baratos.

Um outro fator muito importante foi o incentivo que os artistas receberam dos mecenas que compravam as obras; aliás, é importante lembrar que mecenas eram burgueses ricos que investiam em arte.

A burguesia teve grande importância no Renascimento. No período feudal, os burgueses não eram vistos pela sociedade. Com o Renascimento, a burguesia viu a possibilidade de ascender economicamente, socialmente e politicamente e por esse motivo investiu em massa nas artes.

*O Pensamento Renascentista.

A diversidade de manisfestações do Renascimento foi muito grande. Artes plásticas, literatura, teatro, ciência, política, religião e astronomia marcaram o movimento cultural, que não foi totalmente coeso em sua maneira de pensar.

Um dos aspectos que marca o Renascimento em diversas regiões da Europa é o Antropocentrismo, ou seja, o homem como o centro das atenções. Essa nova maneira de pensar o homem era totalmente contrária à visão de homem medieval que pregava o Treocentrismo (Deus como dentro das atenções). No Renascimento a figura do homem foi extremamente valorizada, pois acreditava-se que o homem era o ser capaz de transformar a sociedade, e não Deus.

*O Renascimento na Itália.

Na realidade, o movimento renascentista nasceu na Itália e depois espalhou-se pelo continente europeu. Surgiu na Itália, pois foi lá que os artistas tiveram grande apoio da burguesia. As principais cidades do Renascimento foram Florença, Roma e Veneza.

Vejamos os principais artistas:

- Leonardo da Vinci (1452 - 1519): considerado um dos grandes gênios da história da humanidade, pois penetrou de maneira brilhante em diversos campos do saber. Suas principais pinturas são a Mona Lisa, A Última Ceia e a Virgem dos Rochedos.

- Rafael (1438 - 1520): grande mestre da pintura, fez diversas obras de arte no Vaticano e diversas Madonas, obras que mostravam a Virgem Maria e Menino Jesus.

- Michelangelo (1475 - 1564): artista extremamente talentoso; além de pintor, foi escultor e arquiteto. Como pintor, produziu diversos afrescos na Capela Sistina no Vaticano. Como escultor fez obras como Moisés, Pietá e David. Como arquiteto projetou a gigantesca basílica de São Pedro, em Roma;

- Nicolau Copérnico (1473 - 1543): propôs em seu livro Da Revolução das Esferas Celestes que o Sol era o centro do nosso sistema planetário e não a Terra, como acreditava-se até então.

- Giordano Bruno (1548 - 1600): defendia que o Universo era infinito e que Deus deveria ser encarado como um princípio inteligente que deu origem ao Universo. Suas idéias causaram escândalo e foi condenado à fogueira pelo tribunal da Inquesição da Igreja Católica.

- Galileu Galilei (1564 - 1662): desenvolveu o telescópio para suas observações astronômicas e confirmou as teorias de Copérnico. Para não ser condenado à fogueira como Bruno, Galileu negou suas afirmações sob tortura.

*O Renascimento na França.

- François Rabelais (1494 - 1553): em suas obras Gargântua e Pantagruel criticou satiricamente e veementemente a Igreja Católica.

- Michel de Montaigne (1533 - 1592): publicou os Ensaios,que pregava uma maior tolerância entre os homens, principalmente no que dizia respeito à religião.

*O Renascimento na Inglaterra.

- Thomas Morus (1478 - 1535): sua obra Utopia, planejou um novo tipo de organização de Estados. O Estado ideal deveria ser mais harmônico.

- Wiliian Shakespeare (1564 - 1616): grande dramaturgo, que produziu diversas obras-primas teatrais. Pode-se destacar entre elas Ricardo III, Antônio Cleópatra, Sonhos De Uma Noite De Verão, O Mercador de Veneza, Romeu e Julieta, Macbeth e Hamlet.

*Países Baixos.

- Van Eyck. Os irmãos Hubert e Jan Van Eyck destacaram-se pela invenção da técnica da pintura a óleo.

*Espanha.

- Miguel de Cervantes (1547 - 1616): grande escritor, que em sua principal obra, Dom Quixote, fez uma sátira aos ideais da cavalaria medieval.

- Luís Vaz de Camões (1524 - 1580): grande poeta, Camões em sua grande obra Os Lusíadas contou a História de Portugal. Camões é considerado revolucionário na técnica de escrever.



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A Sociedade Feudal

*A Organização Social.

As crises internas e as invasões bárbaras levaram, como já vimos, à desagregação do Império Romano Ocidental. As invasões levaram milhares de pessoas a fugirem dos centros urbanos para os campos em busca da segurança. Desenvolveu-se no período da decadência do Império o sistema do Colonato.

O Colonato funcionava da seguinte maneira: os que fugiam das cidades pediam proteção aos senhores de terra; estes por sua vez, davam a proteção em troca de trabalho em sua terra. Dessa forma surgiu o sistema de trabalho servil; o trabalho escravo foi substituído pelo trabalho do servo, que servia o senhor de terras durante toda a sua vida em troca de proteção.

Com a decadência do Império, não havia mais condições para administrar todo ele, levando a uma fragmentação política e cada região tinha sua própria lei.

Esse processo levou a um período histórico denominado feudalismo (palavra que deriva de feudo = terras). Esse período foi marcado por uma descentralização do poder político em que cada senhor feudal (dono do feudo) formulava as suas próprias leis obedecendo apenas às regras da Igreja Católica.

No plano econômico a situação também mudou bastante, pois o intercâmbio comercial retrocedeu. O feudalismo foi marcado pela agricultura e pelo pastoreio voltados para o sustento do feudo e regiões próximas.

A estrutura social também sofreu mudanças importantes. A sociedade feudal dividia-se em três grupos: clero, senhores feudais, servos. Além de estar dividida, não existia uma mobilidade social, ou seja, um servo não podia tornar-se nobre. As leis eram rigorosas e a posição na sociedade era hereditária.

Vejamos como funcionava essa sociedade estamental:

- Nobreza: eram os senhores feudais e que se dedicavam às atividades militar e administrativa.

- Clero: constituído pelos membros da Igreja Católica, que além de cuidarem dela, tinham grande influência nas decisões políticas.

- Servos: a maior parte da população camponesa: tinham a posse útil da terra, estavam atrelados a ela e divam obrigações ao seu senhor.

Além dessa severa divisão social, os servos pagavam inúmeros impostos para os senhores feudais. Existiam vários tipos de impostos: o imposto cobrado por cabeça (capitação); o servo era obrigado a entregar parte da produção para o senhor feudal (talha); os servos também eram obrigados a pagar com uma décima parte da produção (dízimo) por utilizarem os instrumentos de trabalhar na terra.

*A Crise do Sistema Feudal.

Em meados do século XI até o século XV, caracterizou-se um período de desestruturação do sistema feudal. Crises internas dos feudos e o renascimentos comercial foram os principais aspectos que levaram a essa desagregação do mundo feudal.

Nesse período constatou-se um grande crescimento demográfico na Europa, e isso leva automaticamente à necessidade de novas terras para o cultivo. Para cultivar as terras é necessário abrir os campos, ou seja, desmatar.

O desmatamento foi enorme e trouxe terríveis consequências para a sociedade feudal. Algumas mudanças climáticas trouxeram inundações, perda da produção de alguns produtos e a fome em grande escala.

Ocorreram também, a partir do século XIII, inúmeras revoltas de camponeses contra a exploração do trabalho servil e muitos servos fugiram para as cidades em busca de uma vida melhor.



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Absolutismo

*Características.

A desintegração do sistema feudal e a crescente descrença na Igreja Católica, ascensão da burguesia, o Renascimento, a reforma protestante e a expansão marítima e comercial foram alguns fatores que contribuíram para esse processo.

Dentro desse processo, houve um crescente fortalecimento e prestígio do rei. Em várias regiões da Europa, os reis passaram a ter grandes regiões sob seu domínio. Elas tinham algumas características que diferiam totalmente da geografia feudal.

Essas regiões ficaram conhecidas como Estados Nacionais. Vejamos algumas dessas características:

- Idioma Comum: uma das características mais importantes, pois era possível identificar e relacionar diversas culturas.

- Território Definido: com o fim da fragmentação política feudal foi possível delimitar as fronteiras políticas.

- Exército Permanente: para manter-se no poder e manter a segurança do Estado era extremamente necessário a formação de um exército, sob o comando do rei.

Uma importante característica do Estado Nacional foi o grande poder adquirido pelo rei. Todas as decisões políticas, econômicas e, em alguns lugares, religiosas estavam nas mãos dos reis.

Essa centralização do poder nas mãos do rei, que podia tomar qualquer decisão sem consultar o povo ficou conhecida como Absolutismo, pois o rei era o senhor absoluto da nação. O Estado estava em suas mãos.

*O Absolutismo na França.

O Absolutismo francês iniciou-se após a guerra dos 100 anos (1337 - 1453) entre França e Inglaterra. O desgaste e a ruína financeira dos senhores feudais possibilitaram um grande aumento do poder do rei. Mas o poder real estabilizou-se com Henrique IV, que acabou com a guerra religiosa entre cristãos e protestantes e promulgou o Edito de Nantes (1598) em que garantia a liberdade de culto.

Seu sucessor foi Luís XIII, mas o grande representante do Absolutismo francês foi Luís XIV (1661 - 1715), conhecido também por Rei Sol. Atribuiu-se a Luís XVI a frase "L'étac c'est moi" - "O Estado Sou Eu".

O Absolutismo francês desmoronou em 1789 com a Revolução Francesa.

*O Absolutismo na Inglaterra.

O Absolutismo inglês iniciou-se com Henrique VII (1485 - 1509), fundador da "Dinastia Tudor". Como na França, Henrique VII aumentou seu poder por causa da Guerra das Duas Rosas (1455 - 1485), entre dois grupos nobres (Lancaster e York) e que saíram enfraquecidos com a guerra.

A centralização do poder aumentou mais com Henrique VIII e a Igreja Anglicana que dava ao rei o controle da Igreja.

*A Revolução Gloriosa.

Em meados do século XVI iniciou-se o processo de colonização. A expansão colonial e comercial inglesa levou a um grande enriquecimento da burguesia. O enriquecimento burguês proporcionou o desenvolvimento do sistema capitalista em algumas cidades inglesas. No entanto, os campos ingleses ainda viviam sob o regime de servidão.

Essa contradição levou a alguns conflitos. De um lado estavam os senhores feudais, que estavam perdendo os servos que fugiam para as cidades, mas que tinham o apoio do rei. De outro lado, a burguesia mercantil que queria a descentralização do poder e o aumento do poder do Parlamento Inglês que era dividido em Câmara dos Comuns, formada principalmente por burgueses.

Os problemas começaram com a proclamação da Petição de Direitos, em 1628, que restringiu o poder do rei. Carlos I, rei da Inglaterra, reagiu à Petição de Direitos e dissolveu o Parlamento, mas foi obrigado a reconvocá-lo em 1640 para obter recursos financeiros para combater uma revolta na Escócia.

O Parlamento, por sua vez, aprova uma lei que proibia o rei de dissolver o Parlamento. Carlos I reagiu novamente e ordenou a invasão do Parlamento, desencadeando numa terrível guerra civil que durou de 1642 a 1649.

Após 7 anos de guerra, as tropas do Parlamento vencem e Carlos I foi condenado à morte em 1649. Instaurou-se o regime republicano que foi liderado por Oliver Cromwell, que governou de 1649 a 1658.

Em 1653 Cromwell recebeu o título de Lord Protetor da Comunidade Britânica. Seu cargo tornou-se vitalício e hereditário. Cromwell dissolve o Parlamento e morre em 1658. Com a morte de Comwell, seu filho Ricardo assume o poder, mas por pouco tempo.

As agitações políticas aumentam e Ricardo abandona o poder em 1659. Em 1660, foi eleito um novo Parlamento que entregou o governo ao rei Carlos II (1660 - 1685) e que foi substituído por seu irmão Jaime II em 1685.

Jaime II toma uma série de medidas que desegradam o Parlamento; este, por sua vez, fez acordos com o genro de Jaime II, Guilherme de Orange que recebeu o trono em troca de espreitar o Parlamento.

Guilherme de Orange invadiu Londres e assumiu o poder em 1689 e, segundo alguns historiadores, sem derramar uma gota de sangue, ficando esse período conhecido como Revolução Gloriosa.



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O Iluminismo

*O Iluminismo.

Foi um movimento filosófico que surgiu em fins do século XVII e início do século XVIII. Esses homens acreditavam que a razão era a única forma de se chegar ao conhecimento e de se construir uma sociedade mais justa. Para eles, a razão era a luz da humanidade, a luz que iluminaria os homens, daí o nome de Iluminismo.

Para os iluministas, todos os homens eram iguais e por esse motivo não deveriam receber o mesmo tratamento. A liberdade era fundamental. Qualquer homem deveria ter a liberdade de falar aquilo que quisesse, desde que não interferisse na liberdade de outro. Todos os homens também deveriam ser livres para escolher sua religião, fosse qual fosse.

A religião também foi muito criticada pelos iluministas, pois o poder da Igreja estava baseado na fé e não necessariamente de provas científicas, contrariando a razão dos iluministas.

As leis deveriam ser formuladas pelas diversas camadas da sociedade e aprovadas por estas camadas, e não impostas por um rei, como acontecia no Estado Absolutista.

Os iluministas também pregavam que todos os homens deveriam ter acesso ao conhecimento científico: para isso, formularam um livro que pudesse conter o maior número de informações possíveis: a Enciclopédia. A Enciclopédia trazia em seu conteúdo diversos assuntos (medicina, filosofia, matemática, física e astronomia) com o máximo de informações sobre eles.

*Os Principais Filósofos Iluministas.

- Montesquieu (1689 - 1755): jurista francês que escrever o livro Espírito das Leis, em que defendia a divisão do poder do Estado em três órgãos: o Poder Legislativo, o Judiciário e o Executivo.

- Voltaire (1694 - 1778): um dos maiores pensadores da sua época. Em seus vários livros, fez inúmeras críticas ao absolutismo e à intolerância religiosa. Sua luta pela liberdade representa-se bem nesta frase: "Posso não concordar com nenhuma das palavras que você diz, mas defenderei até a morte o direito de dize-las".

- Diderot (1713 - 1784) e D'Alembert (1717 - 1783): foram os principais organizadores da Enciclopédia, que continha 33 volumes.

- Rousseau (1712 - 1778): nasceu em Genebra, na Suiça, transferindo-se para Paris em 1742. Sua principal obra foi O Contrato Social. Neste livro, Rousseau destaca que o soberano deve governar o Estado de acordo com as vontades do povo.

- Kant (1724 - 1804): filósofo alemão que fez diversas críticas ao racionalismo. Seu principal livro foi A Crítica da Razão Pura.



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A Revolução Industrial

Em meados do século XVIII, ocorreram na Inglaterra algumas transformações nos meios de produção. Surgiu a máquina a vapor. Dentre as principais causas que levaram à Revolução Industrial, podemos destacar:

- O avanço da ciência com o surgimento da física, através de Isaac Newton, e que possibilitou transformações tecnológicas.

- O crescimento das cidades, pois os camponeses fugiam em massa dos campos em busca de melhores condições.

- Após a Revolução Gloriosa (1689), a Inglaterra viveu um período de desenvolvimento proporcionado principalmente pela burguesia, que se encontrava nos centros urbanos.

*O Liberalismo Econômico.

O pensamento liberal teve grande expressão principalmente na Inglaterra em meados do século XVIII. O principal representante do liberalismo obra A Riqueza das Nações, faz várias críticas ao mercantilismo e prega a liberdade de mercado, ou seja, não deveriam existir monopólios comerciais.

As leis do mercado deveriam ser determinadas pela oferta e pela procura e não determinadas por um rei. O liberalismo econômico teve um papel fundamental na evolução e consolidação do capitalismo.

*As Transformações Causadas Pela Revolução Industrial.

Com o surgimento das máquimas muitos acreditavam que a miséria no mundo acabaria, pois, para alguns teóricos, a máquina facilitária o trabalho dos homens e, segundo o liberalismo econômico, como a produção seria muito maior, os preços dos produtos cairiam e todos teriam acesso a eles. Mas, os fatos não seguiram nesta ordem.

A máquina trouxe o desemprego para muitas pessoas. Em algumas regiões da Inglaterra, a chegada da máquina revoltou os trabalhadores que perderam seu emprego, várias fábricas foram destruídas.

Além disso, as máquinas também trouxeram novas relações entre os homens. Os trabalhadores tiveram de se adaptar ás novas formas de produção, os trabalhadores não ajustavam às máquinas à sua capacidade de produção, pelo contrário, era a máquina quem ditava o ritmo de trabalho. Foi justamente a partir deste período que se desenvolveram os relógios tal qual os conhecemos. Os relógios tinham a função de "adestrar" os trabalhadores.

As jornadas de trabalho dentro das fábricas variavam de 14 a 16 horas de trabalho. Homens, mulheres e crianças trabalhavam além de sua capacidade física. O local de trabalho também era pestilento, sem o mínimo de higiene e segurança. As crianças dormiam freqüentemente dentro das fábricas e, apesar de trabalharem tanto quanto os adultos, sempre recebiam menos.

Além de os salários serem extremamente baixos, os trabalhadores não tinham direito a férias, aposentadoria e se sofressem qualquer acidente dentro da fábrica que prejudicasse seu trabalho, eram demitidos sem direito a nada.



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A Independência dos Estados Unidos

A colonização inglesa na América deu-se de duas maneiras. Uma foi a colonização de exploração, mais ao sul da América do Norte que tinha seus interesses ligados aos interesses metropolitanos. Mais ao norte, a colinização foi de povoamento, mas a Inglaterra queria impor um maior controle econômico-comercial sobre essas colônias.

Com a Guerra dos 7 Anos (1756-1763) entre França e Inglaterra disputando terras na América do Norte, saindo vitoriosa a Inglaterra, o Rei Jeorge decidiu aumentar os impostos para tentar recuperar as perdas da guerra. Dessa forma, seria possível também impor um maior vigor à dominação colonial. Essa tentativa de fortalecer o monopólio comercial ocorreu através de algumas leis como:

- Lei do Açúcar (1764): proibia a importação de açúcar e seus derivados de qualquer outra região que não fossem as Antilhas Britânicas;

- Lei do Selo (1765): cobrava taxas sobre diversos documentos comerciais;

- Lei do Chá (1773): concedia o monopólio da venda do chá à Companhia das Índias Orientais. Neste ano ocorrem os primeiros conflitos entre os colonos e a Inglaterra. Um carregamento de chá é totalmente destruído pelos colonos em forma de protesto (16/12/1773).

*A Guerra da Independência.

As novas leis, que visavam fortalecer o monopólio comercial geraram, grande insatisfação nas colônias. As idéias iluministas, que se espalhavam pelo mundo neste período, encontraram um solo fértil na América do Norte. Em 4 de Julho de 1776, os norte-americanos declaram sua independência através de Thomas Jefferson.

A Inglaterra não aceitou a independência e iniciaram-se os conflitos. A partir de 1778, os americanos receberam o apoio financeiro e militar da França e Espanha, que queriam enfraquecer a Inglaterra. A guerra terminou em 1783 com o reconhecimento da independência peloa Inglaterra. Em 1787 foi proclamada a primeira Constituição dos Estados Unidos, que adotou a forma de governo republicano e a separação dos três poderes: Judiciário, Legislativo e Executivo. George Washington foi eleito o primeiro Presidente em 1789.



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A Tradução no Renascimento

*Renascimento.

"Durante os séculos XV e XVI, as culturas grega e latina passaram do serviço de Deus ao serviço do Homem."

Há alguns anos, o Núcleo de Pesquisa em Tradução Literária (Niplitt) da Univerdade Federal de Santa Catarina publicava o primeiro volume da sua coleção de clássicos de Teoria da Tradução. Foram publicados três volumes bilíngues; o primeiro, português-alemão; o segundo, português-francês; e o terceiro, português-italiano. O quarto acabou de sair, e, desta vez, está inteiramente dedicado ao Renascimento.

O organizador do volume, e o Professor Mauri Furlan, introduz a antologia apresentando e contextualizando as fontes primárias que refletiam, nos séculos 15 e 16, sobre a organização tradutória. É possível, segundo ele, estabelecer as características da tradução renascentista e compor uma teoria do Renascimento. De fato, os textos deste volume, e dos precedentes, permitiram escrever uma história da teoria da tradução, à história das civilizações, para assim dizer, através da tradução.

A renovação artística e literária manifestou-se na Itália do século 15, depois da França, e expandiu-se por toda a Europa. Foi durante o século do humanismo que as culturas grega e latina passaram do serviço de Deus para o serviço do Homem. No final do século 15, a descoberta da impressão (Na Cidade de Mainz) favoreceu a aparição de uma nova classe de leitores que, embora com vontade de entrar em contato com a cultura antiga, não conheciam a língua hebraica, nem o grego, nem o latim.

A Revolução Francesa

A Revolução Francesa foi um dos momentos mais importantes do Mundo contemporâneo, pois foi o primeiro País a derrubar sua monarquia absolutista (Antigo Regime). Para compreender melhor a revolução, estudaremos um pouco sobre a França antes da revolução.

*A Sociedade Francesa.

A sociedade francesa era composta por cerca de 25 Milhões de pessoas e dividia-se em três Estados ou Ordens: o Clero, a Nobreza e o terceiro Estado, composto pela Burguesia, Artesãos e Camponeses.

- Primeiro Estado: constituído pelo Clero composto por cerca de 120 000 pessoas. Tinham inúmeros privilégios, além de receberem o dízimo.

- Segundo Estado: constituído pela Nobreza, eram cerca de 350 000 pessoas. Existiam os nobres que ficavam no Palácio junto ao Rei e a Nobreza dos campos, composta pelos Senhores de Terra.

- Terceiro Estado: formado pela grande maioria da população e dividia-se em alguns grupos: camponeses, que eram em torno de 20 milhões; Burguesia e Artesão, que somavam cerca de 4 milhões de pessoas.

A economia francesa também vivia uma séria crise. Diversos problemas climáticos assolaram a França de 1784 em diante. Secas e chuvas trouxeram uma grande miséria. O sistema abolutista também mostrou-se inviável, pois as depesas se acumulavam desde o governo de Luís XIV. Outros fatores também contribuíram, como a Guerra dos Cem Anos, em que a Inglaterra derrotou a França e a entrada de tecidos ingleses na França, desbancando a indústria francesa.

Como já vimos, esse período foi o auge do pensamento iluminista, que nasceu na França inclusive, e as críticas ao regime monárquico e a exploração do trabalho aumentavam cada vez mais.

*O Início da Revolução.

Na realidade, a revolução iniciou-se por motivação dos próprios nobres, não que estes quisessem grandes transformações, pelo contrário, queriam alguém que pagasse mais impostos. Para tentar sanar os problemas financeiros da França, para os nobres, deveria ser convocada a Assembléia dos Estados Gerais para forçar o terceiro Estado a pagar os novos tributos.

A Assembléia dos Estados Gerais era constituída por membros dos três Estados e foi convocada pelo Rei Luís XVI em Maio de 1789. O que o Rei não imaginava era que o Terceiro Estado tivesse a maioria e a possibilidade de tomar decisões importantes.

Rapidamente, Luís XVI tentou controlar a situação dissolvendo a Assembléia, mas esta não acatou as ordens do Rei. O primeiro e o segundo Estado queriam reunir-se em separado para votar os projetos de acordo com cada Estado. Os membros do terceiro Estado, principalmente a Burguesia, controlaram a situação e instituíram o voto por cabeça.

*A Assembléia Nacional Constituinte.

Em 17 de Junho de 1789 proclamou-se a Assembléia Nacional, que tinha por objetivo formular uma nova constituição para a França. Luís XVI mandou tropas para dissolver a Assembléia, mas, nesse momento a revolta já tomava as ruas de Paris: os populares enfrentaram as tropas. Os membros da Assembléia, diante da situação, fizeram um juramento: ficariam reunidos enquanto não estivesse pronta a nova constituição.

Exatamente um mês após a proclamação da constituiente, a população revoltosa invadiu e tomou a velha prisão da Bastilha, que representava a opressão do governo de Luís XVI.

Em 26 de Agosto do mesmo ano, a Assembléia Nacional proclamou a celébre Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Alguns dos principais itens foram:

- A liberdade e a igualdade dos cidadãos perante a lei;

- Direito à propriedade individual;

- Liberdade de pensamento e de opinião.

A nova constituição da França foi concluída em 1791. Apesar da importância histórica e fazer transformações consideráveis, a nova constituição veio ao encontro dos interesses da burguesia, pois trazia muitas mudanças na questão dos direitos. Mudanças essas, que não trouxeram grandes melhorias para os camponeses e artesãos.

Da mesma forma que nos Estados Unidos, os franceses criaram os três poderes: Legislativo, Judiciário e Executivo. No entanto, o governo continuou nas mãos de Luís XVI.

Luís XVI era casado com a Princesa Austríaca Maria Antonieta que conseguiu a apoio do Imperador da Prússia e da Áustria para invadir a França e acabar com a revolução. Em 1791, Luís XVI e Maria Antonieta tentaram fugir da França, mas foram interceptados na cidade de Verennes.

A partir daí, a ala mais radical dos revolucionários ganhou grande apoio, principalmente após a vitória dos revolucionários contra os exércitos austro-prussianos em Setembro de 1792. A revolução passou para as mãos da ala radical, liderada por Marat, Danton e Robespierre. Em 20 de Setembro de 1792 proclmaou-se a República.

*A República e a Convenção Popular.

Com a proclamação de República, a Assembléia Nacional foi dissolvida e foi convocada a convenção nacional, que tinha por objetivo fazer uma nova constituição que realment eprivilegiasse a maioria da população. Considerando esse período importantíssimo, os líderes da revolução mudaram o calendário e a proclamação da República foi considerado o ano I.

Na Convenção Nacional, os grupos dividiram-se em dois: os Girondinos, que representavam os interesses da burguesia e não queriam grandes transformações; e os Jacobinos que representavam a maioria da população e lutavam por medidas mais igualitárias.

Os jacobinos, liderados por Danton, Marat e Robespierre, com o apoio da população passaram a ter domínio sobre a situação. Iniciaram-se as perseguições a todos aqueles que discordavam do novo regime. Um dos primeiros a ser julgado e condenado à guilhotina foi Luís XVI em Janeiro de 1793.

Novamente os exércitos austro-prussianos, agora com o apoio da Inglaterra e da Holanda, tentaram invadir a França. Foi criado o Comitê de Salvação Pública, para tentar controlar as fronteiras e das crises internas. Outro órgão criado foi o Tribunal Revolucionário, que julgava e condenava todos aqueles que discordavam do regime. Esse perído também ficou conhecido como Terror, pois mais de 17 000 pessoasforam condenadas e quase 3 000 foram guilhotinadas. O governo republicano tornou-se uma verdadeira ditadura liderada por Robespierre, que mandou guilhotinar seus próprios companheiros. Foi o caso de Danton em 1793.

Apesar de ser um período ditatorial, as principais medidas revolucionárias foram tomadas entre 1792 e 1794. Entre elas, podemos destacar:

- Inúmeras propriedades rurais foram confiscadas pelo governo e entregue aos camponeses;

- Os bens do clero foram confiscados;

- Criou-se a escola Pública, onde poderiam estudar todos aqueles que não tinham dinheiro para pagar os estudos.

A Convenção Nacional encerrou-se em 1794 com a prisão e o guilhotinamento de Robespierre em 27 de Julho de 1784. Os girondinos subiram ao poder.

*O Diretório.

A constituição ficou pronta em 1795, estabelecendo a continuidade de República, que seria controlada por cinco membros, formando um diretório.

Com a ascensão da burguesia ao poder, as novas medidas tomadas visavam a liberdade comercial e a expansão do poderio francês. Após as diversas tentativas de invasão da França, os franceses iniciam sua expansão territorial, tendo destaque o jovem e brilhante militar Napoleão Bonaparte.

O diretório durou de 1795 a 1799. Foi um período de grandes agitações. Os jacobinos queriam o fim do diretório. Havia também um outro grupo que pretendia a volta da monarquia.

Para manter a situação sob controle, o diretório recorreu ao jovem militar de grande prestígio, Napoleão Bonaparte, que reunia as melhores condições para cumprir o papel desejado pela burguesia.

No dia 10 de Novembro de 1799 (18 Brumário, pelo calendário instituído pela revolução), Napoleão Bonaparte dissolveu o diretório e estabeleceu um novo governo, o Consulado.
Assumindo o poder, Napoleão Bonaparte consolidou os interesses da burguesia e encerrou o período de turbulência em que vivia a França.





A Era Napoleônica

Com a dissolução do diretório, foi instalado o consulado, do qual participavam Napoleão Bonaparte e mais dois cônsules.

Em 1799, foi aprovada uma nova constituição que dava amplos poderes a Napoleão Bonaparte, iniciando assim uma ditadura militar que duraria 15 anos. Durante o período do consulado, a burguesia conseguiu consolidar seu poder. Foi um período marcado por uma nova política econômica e total reorganização administrativa.

Vejamos suas principais medidas:

- Administração: centralização, nomeação para cargos públicos de confiança ou não, estavam nas mãos de Napoleão.

- Economia: criação do Banco Francês (1800), controlando a emissão de moedas e, conseqüentemente, a inflação. Fortaleceu a indústria e o comércio com tarifas protecionistas.

- Educação: reorganização do sistema de ensino, colocando a educação sob as "asas" do governo para poder controlar o pensamento de poder político.

Também podemos destacar os acordos feitos entre Napoleão e a Igreja Católica, com o objetivo de tornar a religião um meio de poder político.

*O Império Napoleônico.

Manipulando a opinião pública, Napoleão foi eleito, através de um plesbicito, Imperador da França em 1804, recebendo o título de Napoleão I. Já em 1800, Napoleão tinha derrotado a Áustria, Prússia e inclusive a Rússia. A Inglaterra, que também fazia parte da aliança antinapoleônica, foi forçada a assinar um tratado em que passava parte de suas colônias para a França.

Em 1805, formou-se uma nova aliança liderada pela Inglaterra. Mesmo sendo derrotado pelos ingleses, Napoleão conseguiu brilhantes vitórias sobre a Áustria (1805), Prússia (1806) e a Rússia (1807).

Não conseguindo invadir e derrotar a Inglaterra, Napoleão decretou o Bloqueio Continental à Inglaterra, determinando que todos os países do continente europeu fechassem seus portos ao comércio inglês.

Por volta de 1810, no entanto, o governo de Napoleão passou a ser criticado dentro da própria França, pois, o grande império custou a vida de muitos milhares de soldados.

O Bloqueio Continental também não surtiu o efeito desejado. A Rússia abandonou o Bloqueio em 1810, pois enfrentava uma terrível crise econômica e o czar Alexandre I não teve outra opção, senão negociar sua superprodução de cereais com a Inglaterra.

O abandono do Bloqueio levou Napoleão a invadir a Rússia em 1812, para forçar Alexandre I a voltar ao Bloqueio. Napoleão invadiu Moscou e incendiou-a. No entanto, a campanha contra a Rússia levou à decadência e à destruição do império napoleônico. dos 400 000 soldados que partiram junto com Napoleão para a Rússia, menos de 100 000 voltaram. O terrível inverno russo destruiu o exército francês.

Ao voltar para a França, o irmão de Luís XVI, Luís XVIII havia assumido o governo. Napoleão foi exilado na ilha de Elba. Em Março de 1815, reuniu algumas tropas para reassumir o poder, por apenas 100 dias. Uma nova coligação internacional derrotou definitvamente Napoleão, na batalha de Waterloo, em Junho de 1815.

Napoleão foi preso e levado para a ilha de Santa Helena, no Oceano Atlântico, onde permaneceu até morrer, em 1821. Luís XVIII foi reconduzido ao trono em 1815.



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A Independência da América Espanhola

A independência da América espanhola está relacionada com as transformações que ocorreram no século XVIII na Europa e que levaram à derrocada o Absolutismo ou Antigo Regime (Como diziam os revolucionários franceses) ou independência das colônias inglesas na América do Norte, a Revolução Industrial, o Iluminismo e a Revolução Francesa tiveram grande impacto na América Espanhola.

*A Situação Colonial.

Como já vimos, no final do século XV e início do XVI a Espanha formou na América um vasto império colonial, riquíssimo em metais preciosos e que, até fins do século XVIII, foi a principal fonte de sustento da Coroa espanhola. Para governar a administração em quatro vice-reinos: Nova Espanha, Nova Granada, Peru e do Prata. Também foram criadas quatro capitanias com função de defesa: Cuba, Guatemala, Venezuela e Chile.

Outro aspecto muito interessante da colonização espanhola foi a instituição, como já vimos, do Pacto Colonial, que visava manter o monopólio comercial através de uma série de restrições comerciais e de algumas obrigações por parte da colônia, como por exemplo, o fornecimento de matérias-primas e a compra de produtos manufaturados da metrópole.

*As Razões da Independência.

Em meados do século XVIII, a riqueza das colônias espanholas já não era a mesma. A exploração de metais preciosos em séculos anteriores sugou praticamente toda a riqueza de algumas regiões. Como a Espanha era um paíes extremamente atrasado no seu desenvolvimento industrial, importava inúmeros produtos da Inglaterra e da França, tornando-se grande devedor desses países. Para tentar contornar esta situação, a Coroa espanhola encontrou uma solução "pouco comum":

- Aumentar os impostos.

- Restringir ainda mais o comércio colonial.

Essas medidas desagradaram os colonos, principalmente as elites coloniais, ou criollos (descendentes de espanhóis na América), que controlavam boa parte das atividades econômicas coloniais e que mais uma vez não tinham seus interesses representados. Além dessas restrições econômicas, os criollos também eram proibidos de tomar decisões políticas, pois o controle administrativo das colônias estava nas mãos dos chapetones (espanhóis escolhidos pela Coroa pra governar as colônias).

É muito importante salientar, no entanto, que as populações indígenas e os mestiços, em diversas regiões, não estavam preocupados com a Independência, pois eram totalmente marginalizados das decisões políticas e econômicas e seu trabalho era explorado pelos criollos. Portanto, a situação desses povos não mudaria em nada.

*Os Movimentos de Independência.

Os primeiros conflitos entre espanhóis e colonos ocorreram em fins do século XVIII. Entre eles, destaca-se o movimento de Tupac Amaru, no Peru.

O movimento iniciou-se em 1783, com uma revolta de mais de 60 000 índios, liderados pelo índio José Gabriel Condorcanqui, conhecido como Tupac Amaru. A rebelião ocorreu por causa da grande exploração que sofriam os indígenas e se transformouse numa tentativa de independência do Peru. O movimento, depois de intensos combates, foi sufocado por tropas espanholas e Tupac foi assassinado sob brutal tortura para servir como exemplo.

*A Independência do México.

A primeira tentativa de proclamação de independência veio do Vice-Reino da Nova Espanha, em 1810, sob a liderança do Padre Miguel Hidalgo. Entretanto, com o fim do domínio francês sobre a Espanha, a Coroa pôde organizar seu exército e sufocar o movimento.

A independência definitiva ocorreu em 1821, sob o comando do general Iturbide, que se declarou imperador. Em 1823, é proclamada a República.

*A Independência de Nova Granada.

A independência do vice-reino de Nova Granada formou três países: Venezuela, Colômbia e Equador. Quem iniciou o movimento foi Francisco de Miranda, mas foi Simon Bolívar, o grande libertador, que teve decisiva participação na libertação da Grã-Colômbia (1819) que reunia Colômbia e Venezuela; no entanto, a Venezuela rompeu e tornou-se independente em 1830. O Equador tornou-se independente em 1822, tamém com o apoio de Bolívar.

*A Independência do Vice-Reino do Peru.

Desse Vice-Reino formaram-se três repúblicas: Peru, Chile e Bolívia. Em 1817, O'Higgins libertou o Chile, com o apoio de tropas de San Martin (http://www.pediaonline.com.br/2011/05/jose-francisco-de-san-martin-1778-1850.html). Bolívar e San Martin também participara, da libertação do Peru em 1821; a Bolívia consegue sua independência através do General Sucre.

*A Independência do Vice-Reino do Prata.

O processo de independência do Rio da Prata iniciou-se com a libertação do paraguai em 1811, depois a Argentina libertou-se e o Uruguai só conquistou sua independência em 1828, pois fora anexado ao Brasil no início da década de 20 e só libertou-se após uma guerra que durou 3 anos. O grande líder do movimento do Rio da Prata foi San Martin.

*A Tentativa de Unificação.

Após as guerras de independência, alguns homens propuseram a união desses diversos países latino-americanos. O principal divulgador dessa idéia foi Simon Bolívar, que acreditava que com a reunião desses países, a América Latina se tornaria um país extraordinariamente rico, capaz de se manter sem nenhuma intervenção externa.

Em 1826, ocorre o Congresso do Panamá, que tinha por objetivo criar uma Confederação de países latino-americanos. Mas o Congresso foi um fracasso, pois havia grandes divergências entre as elites latino-americanas. Países como Inglaterra e E.U.A também não viam com bons olhos essa unificação, que iria contra seus interesses; então, tentaram de tudo para boicotar o Congresso, inclusive pressionando países a não assinarem o Tratado.

*A Influência dos E.U.A.

Os Estados Unidos se apressaram em reconhecer as independências latino-americanas. Os E.U.A manifestaram sua posição contrária a qualquer tentativa de invasão européia na América. Através do Presidente Monroe surgiu o ideal da "América para os americanos", também conhecido como "Doutrina Monroe". Através da "Doutrina Monroe", os E.U.A conseguiram impor seu domínio sobre a América Latina, tornando assim, a "América para os norte-americanos".



As Transformações Européias do Século XIX

*A Restauração da Monarquia Francesa.

Com a queda de Napolão Bonaparte, a monarquia francesa foi restaurada com Luís XVIII, que governou de 1815 a 1824. Esse período foi marcado por perseguições a grupos bonapartistas e liberais. Com a morte de Luís XVIII, assumiu o trono seu irmão Carlos X, que criou leis que passavam para as mãos da Igreja o ensino e indenizava inúmeros aristocratas que tinham perdido suas terras com a Revolução Francesa.

Em 1830, Carlos X fechou o Congresso e iniciou a perseguição aos liberais, o que desencadeou uma violenta reação que teve o apoio da alta burguesia. Esta depôs Carlos X e colocou em seu lugar Luís Felipe D'Orléans, que governou até 1848.

*A Situação dos Operários.

Como já vimos, a Revolução Industrial trouxe grandes transformações e muitos acreditavam que a máquina traria enormes benefícios para a humandade. O mesmo não diziam os trabalhadores das fábricas.

A condição de vida dos operários até meados do século XIX era degradante: a maioria deles morava em cortiços sem as mínimas condições de higiene, tornando-se locais para a propagação de inúmeras doenças. Apesar do grande crescimento industrial (Que fez com que milhares de pessoas abandonassem os campos em busca de melhores condições nas cidades), milhares de pessoas continuavam desempregadas e muitas se entregaram aos crimes e à prostituição. As cidades industrializadas eram o verdadeiro caos.

*O Movimento Operário.

Já em fins do século XVIII, descontentes com sua situação, os operários começaram a formar grupos, associações e entidades com o objetivo de pressionar os governos a mudarem sua situação.

A Inglaterra foi o primeiro país a se industrializar, e o primeiro país a ter organizações operárias.

Um dos primeiros movimentos que teve grande adesão foi o "Ludismo", por causa do seu líder Ned Ludd. Uma das principais atitudes desse movimento era a destruição das máquinas. A reação do governo inglês foi violenta e foi proibida qualquer união entre os operários.

Apesar da proibição, os movimentos não pararam de crescer. Surgiram os primeiros sindicatos que começaram a se manifestar de diversas maneiras, dentre elas, as greves. Os trabalhadores, além de tentarem mudar sua situação perante aos patrões, queriam também ser representados no Parlamento.

Em 1838, trabalhadores ingleses redigiram uma carta ao governo exigindo melhores condições. A idéia espalhou-se e milhares de trabalhadores tomaram as mesmas atitudes, surgindo, em poucos meses, O Movimento Cartista.

Novamente a polícia inglesa entrou em ação, reprimindo o movimento.
As reivindicações dos operários foram ouvidas aos poucos e apenas em fins do século XIX é que os operários conquistaram:

- Redução da jornadaa de trabalho para 8 horas;

- Salário-mínimo;

- Descanso semanal;

- Férias.

Nem todos os países, entretanto, tornaram melhor a vida dos seus trabalhadores, o que provocou diversos conflitos durante o século XX.

*O Socialismo.

Durante o período de organização dos operários surgiram vários pensadores formulando críticas severas à nova sociedade industrial e aos sistemas sócio-econômicos em que a produção e distribuição de renda e produtos deveria ser planejada para atender às necessidades básicas da população. Essas novas formulações ficaram conhecidas como Socialismo.

Existiram duas correntes principais dentro do Socialismo durante o século XIX: o Socialismo Utópico e o Socialismo Científico.

*O Socialismo Utópico.

Essa corrente do socialismo recebeu nome porque a maioria de suas idéias eram irrealizáves, pois não levam em conta a dificuldade de colocá-las em prática.

Os principais socialistas utópicos foram Saint-Simon, Charles Fourrier e Robert Owe. Saint-Simon (1760-1825) acreditava na possibilidade de uma vida harmoniosa entre as diversas camadas da sociedade. Para ele, o governo deveria ser composto por cientistas, artistas, operários, industriais e banqueiros.

Charles Fourrier (1772-1858) aplicou suas idéias em sua prórpria fábrica na Escócia. Reduziu a jornada de trabalho para 10 horas, construiu casas e deu ensino gratuito para os trabalhadores e seus filhos, além de criar um armazém com produtos a preço de custo para os trabalhadores.

*O Socialismo Científico.

Essa corrente é representada por dois importantes personagens: Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895). Esses dois pensadores fizeram estudos profundos da história da humanidade e da transformação dos modos de produção. Para eles, a única classe capaz de fazer transformações verdadeiras era a classe operária. Os operários deveriam tomar os meios de produção (Terras, máquinas e fábricas), que estavam nas mãos de alguns capitalistas, e sociolizá-los. O Estado também teria uma função capital: fazer a distribuição de renda.

O pensamento de Marx e Engels teve grande influência sobre a classe operária durante o século XIX e é cultuado a´te hoje. Suas principais obras são O Manifesto Comunista (Marx e Engles), O Capital (Marx) e A Situação Da Classe Operária Inglesa (Engels).

*A Revolução de 1848.

Em 1830, na França, Carlos X foi deposto e em seu lugar assumiu Luís Felipe D'Orléans, e ao contrário do que pensava a maioria da população, seu governo manteve a situação sócio-econômico tal qual se apresentava. A única diferença foi o restabelecimento da política liberal, mas a pequena burguesia continuou fora das decisões governamentais, assim com os operários e camponeses.

Entre os anos de 1846 e 1848, a França passou por uma terrível crise econômica. As colheitas foram péssimas, o preço dos produtos alimentícios aumentou absurdamente, agravando ainda mais a situação da população. Além disso, diversas fábricas faliram e muitos trabalhadores perderam seus empregos.

Ocorreram diversas manifestações contra o governo, o primeiro-ministro, francês, Guizou, tentou reprimir as manifestações em vão, pois a Guarda Nacional unira-se aos revoltosos, iniciando-se a Revolução Liberal de 1848.

Com o exército ao seu lado, os revolucionários forçaram Luís Felipe a abdicar. O governo provisório foi formado por republicanos, liderados por Affonse Lamartine e os socialistas, liderados por Louis Blane. Apesa das diferenças claras entre os dois grupos foram tomadas algumas medidas importantes:

- Instaurou-se a liberdade de imprensa;

- Foi abolida a escravização nas colônias;

- Sindicatos foram legalizados;

- A jornada de trabalho foi reduzida para 10 horas;

- Foi convocada uma Assembléia Constituinte.

Apesar de os socialistas terem conseguido a maioria na Assembléia, o Governo Provisório revogou a Lei que diminuia a jornada de trabalho, mandou fechar sindicatos e perseguiu jornais socialistas.

A reação da população veio de imediato, e milhares de pessoas saíram às ruas, só que dessa vez o exército obedeceu às ordens do governo e a população foi esmagada: mais de 10 000 pessoas foram mortas.

Em Dezembro de 1848, Luís Bonaparte, sobrinho de Napoleão Bonaparte, foi eleito Presidente da França e em Dezembro de 1851 deu um Golpe de Estado, fechando a Assembléia e tendo o poder absoluto. Este golpe ficou conhecido como "O 18 Brumário de Luís Bonaparte". A partir daí, instalou-se o Novo Império, que duraria até 1870.

Governo Médici (1969 - 1974)

Em 1968, a caça aos grupos contrários ao Regime chega ao seu ponto máximo, principalmente, a partir de 1969 com o governo de Garrastazu Médici. As delegacias do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) espalhadas pelo país tornaram-se centros de torturas e assassinatos. Os métodos de tortura eram mais ousados e cruéis do que os utilizados por Vargas no Estado Novo (1937-1945).

Muitas pessoas morreram durante as sessões de tortura, mas era comum constar suicídio nas certidões de óbitos desses prisioneiros. Além disso, mais de 140 pessoas simplesmente desapareceram.

A repressão militar teve seu auge entre os anos de 1968, com o AI-5, e 1975, com o assassinato do jornalista Waldimir Herzog, no DOPS em São Paulo. Segundo a polícia, o jornalista havai se enforcado, mas a foto entregue à imprensa deixava claro a impossibilidade de tal ato, dada as condições do local onde se encontrava.

A reação contra o assassinato foi muito forte, inclusive o próprio governo achou a morte do jornalista descabível, destituindo até o comandante do II Exército (responsável pela região de São Paulo).

No início da década de 70, outro órgão surge com a função de combater a oposição: a OBAN (Organização Bandeirantes) que recebeu doações de inúmeras empresas, inclusive multinacionais.

A censura também ficou mais rígida: jornais, novelas, programas, revistas, discos, filmes, teatro, tudo passava pelo órgão censurador. No entanto, é justamente nesse momento que a música e os compositores tornam-se brilhantes, pois utilizam recursos de linguagem para passarem pela censura. Gota dÁgua (que virou peça de tatro) de Chico Buarque e Águas de Março de Tom Jobim são alguns exemplos. Todavia, o regime militar só vai ceder a partir de 1978.

O Imperialismo

Vimos que, em meados do século XVIII, a Europa entrou num processo de grandes transformações, principalmente por causa da Revolução Industrial.

Essas transformações nos meios de produção geraram uma fanstástica capacidade de produzir. Só que esta super-produção necessitiva de um amplo mercado consumidor. As máquinas necessitavam também de grandes quantidades de minérios.

No século XIX, as potências européias saíram em busca de novas colônias para que estas fornecessem matérias-primas para as metrópoles, além de se tornarem mercados consumidores. Essa Nova Colonização (também chamada de imperialismo) diferenciava-se da colonização do século XVI, pois não pretendia o monopólio comercial, o que mandava era a livre concorrência e a indústria mais forte vencia.

As regiões atingidas pelo imperialismo foram a Ásia e a África. A justificativa da colonização lembrava muito a colonização do século XVI. Julgava-se que os povos africanos e asiáticos não eram "civilizados", e a exploração era uma boa alternativa para "civilizá-los".

Os primeiros países que saíram em busca de colônias foram França e Inglaterra. A França iniciou sua colonização em 1830. Suas colônias na África estavam mais ao norte e os países que ficaram sob o domínio francês foram Argélia, Guiné, Costa do Marfm e Marrocos. Na Ásia, as regiões sob o domínio francês localizavam-se na região da Indochina (O sudeste asiático).

A colonização inglesa iniciou-se em 1837 com o início do reinado da Rainha Vitória. Os ingleses colonizaram diversas regiões da África, desde o Egito até a África do Sul. Os ingleses disputaram com os africanos de origem holandesa, os boêres, a extração de diamente e ouro na região do Orange. Os confrontos entre eles ficaram conhecidos como a Guerra dos Boêres (1899-1902), vencida pela Inglaterra. Na Ásia as principais regiões de colonização foram a Índia e a China. Os ingleses tinham um grande comércio de ópio com os chineses.

Em 1840, as autoridades chinesas resolveram proibir o comércio do ópio da China, iniciando a Guerra do Ópio, que durou dois anos e trazendo grande humilhação para a China, que foi forçada a assinar o Tratado de Nanquim. Através dele, a Inglaterra conseguiu uma série de vantagens econômicas, como o direito sobre a cidade portuária de Hong Kong.

Outros países também saíram atrás de colônias. Bélgica, Alemanha e Itália, são alguns países que se industrializaram tardiamente, mas conquistaram algumas colônias.

Além das potências européias, o Japão e os E.U.A participaram ativamente do processo imperialista. Os japoneses ocuparam a Coréia, enquanto os norte-americanos anexaram o Havai e as Filipinas.

A Primeira Guerra Mundial

O grande salto capitalista do século XIX e a ambição por mercados consumidores foram responsáveis por algumas tensões entre as principais potências euroéias, levando à Primeira Guerra Mundial.

Apesar de sair tardiamente em busca de colônias, a Alemanha passou por um grande avanço tecnológico em fins do século XIX. O crescimento alemão passou a incomodar a hegemonia inglesa.

Além desses fatores econômicos, outros acontecimentos também colaboravam para um clima de hostilidade na Europa:

- O Pan-Eslavismo: liderado pela Rússia, que buscava uma saída para o mar Mediterrâneo.

- O Pan-Germanismo: liderado pela Alemanha, que pregava a união dos povos germânicos da Europa Central.

- O Revanchismo Francês: em 1870, houve uma guerra entre França e Alemanha e os franceses foram obrigados a ceder as regiões da Alsácia e da Lorena para os alemães. A região era extremamente rica em minérios e os franceses não admitiam ter perdido esta região.

- A Crise Nos Bálcãs: os sérvios tinham o apoio dos russos, que pretendiam construir uma ferrovia que ligasse a Rússia ao mar Mediterrâneo. Em 1808, a Áustria anexou a região da Bósnia-Hezergovina, ferindo os interesses da Sérvia e da Rússia.

*A Formação de Alianças e o Início Da Guerra.

Diante deste clima de instabilidade e mútua hostilidade, os principais países da Europa, percebendo que uma guerra começaria a qualquer momento, adotaram uma política de alianças. Este período ficou conhecido como Paz Armada, pois os países faziam alianças para prevenir-se de ataques.
Vejamos as principais alianças:

- A Tríplice Aliança: formada por Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália.

- Tríplice Entente: formada por Inglaterra, França e Rússia.
O "estopim" da guerra foi o assassinato do Duque da Bósnia, Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austríaco, em 28 de Junho de 1914.

Em 28 de Julho, o Império-Húngaro declarou guerra à Sérvia. Em 29 de Julho, as tropas russas declaram apoio à Sérvia e mobilizam-se contra o Império Austro-Húngaro e à Alemanha. Inicia-se, então, a guerra, entre a Tríplice Aliança (Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália até 1915) e a Entente (Inglaterra, França e Rússia).

Com o aperfeiçoamento dos armamentos (O surgimento da metralhadora, por exemplo), a guerra, que parecia ser curta durou vários anos. A Guerra de Trincheiras, como ficou conhecida, arruinou a economia européia, impossibilitando a movimentação militar.

Apenas a partir de 1917 é que vão ocorrer movimentações nos campos de batalha. Foi neste ano que os norte-americanos entraram na guerra ao lado da Entente. Com a economia européia parada, os americanos, que exportavam muito no início da guerra, viram suas indústrias pararem. A solução encontrada foi entrar na guerra ao lado da Entente. Dessa forma a guerra terminaria mais rápido, as indústrias americanas cresceriam novamente e seriam feitos grandes empréstimos aos países derrotados.

Em 1917, a Rússia abandonava a guerra por causa da revolução socialista. Em Março de 1918, os russos assinaram o Tratado de Brest-Litovsk, estabelecendo a paz (Humilhante) com a Alemanha.

Com a entrada dos americanos, a guerra terminaria em 1918, com o armistício aceito pelos alemães.

Após o armistício, os alemães foram obrigados a assinar o Tratado de Versalhes, que impunha condições humilhantes para os derrotados.
Contendo mais de 440 itens, podemos destacar alguns:

- Entregar a região da Alsácia-Lorena à França.

- Entregar a maioria de seus navios mercantes à França, Bélgica e Inglaterra.

- Pagar uma enorme indenização em dinheiro aos países vencedores.

- Reduzir seu poderio militar, sendo proibida de possuir aviação militar.

A Revolução Russa

A Revolução Russa de 1917 veio em resposta às terríveis condições de vida em que viviam operários e camponeses na Rússia no início do século. Esse acontecimento teve total influência das idéias de Marx e Engels e rompeu com a ordem capitalista, iniciando uma série de transformações que marcaria o século.

*A Monarquia Czarista.

No início do século, a Rússia, apesar de ainda existir o regime de servidão, através do czar (Rei), Nicolau II, começou a promover a industrialização do país. Iniciou-se a exploração do petróleo, construíram-se estradas de ferro e surgiram as primeiras indústrias de base (Siderurgia e Metalurgia).

Da mesma forma que ocorreu com os operários ingleses no século XIX, os operários enfrentavam uma terrível exploração do seu trabalho. No entanto, as idéias marxistas encontraram um campo fértil para o seu florescimento.

*A Revolta de 1905.

No início do século, os operários formaram um partido para tentar melhorar sua situação, o Partido Trabalhista Social Democrata. Dentro do partido existiam duas correntes, os Mencheviques e os Bolcheviques.

- Os Mencheviques: liderados por Plekhanov e Martov, acreditavam que deveriam esperar o desenvolvimento capitalista para depois agirem.

- Os Bolcheviques: liderados por Vladimir Litcaulianov (Conhecido como Lênin), acreditavam que somente tomando o poder através da Revolução seria possível transformar as condições da classe trabalhadora. Apesar de fazer parte dos Mecheviques, Lev Bronstein (Conhecido como Trotski), rapidamente transferiu-se para os Bolcheviques.

Em 1904, a Rússia tentou expandir seu território para o Oriente invadindo regiões da China. O Japão, todavia, tinha os mesmos interesses e os dois países (Rússia e Japão) entraram em guerra.

A Rússia foi derrotada e a situação sócio-econômica agravou-se sensivelmente e espalharam-se manifestações em diversas regiões. Em 1905, as revoltas contaram com a participação de operários, camponeses, liberais e inclusive de marinheiros, que tomaram o encouraçado Potemkin.

O czar Nicolau II prometeu reformas, além de estabelecer um governo constitucional e convocar eleições para o Parlamento. A ala liberal da revolta ficou satisfeita com a promessa feita pelo czar abandonou o movimento. Os Bolcheviques, sozinhos, não conseguiram resistir à repressão. O movimento foi contido e os principais líderes foram presos.

*A Revolução de 1917.

Sofrendo ainda as consequências da guerra contra o Japão, a Rússia se envolveu em outro conflito de proporções ainda maiores, a Primeira Guerra Mundial. A longa duração da guerra trouxe uma terrível crise de abastecimento dentro da Rússia. Novamente eclodiram revoltas em todo o país, tornando praticamente insustentável o governo de Nicolau II.

Percebendo a completa desestruturação do poder do czar, Lênin aproveitou-se da situação para reestruturar o Partido Bolchevista, acreditando que esse era o momento histórico para a Revolução Socialista.

Em 15 de Março de 1917, a oposição (Formada por liberais burgueses e socialistas) depôs o czar, dando início à Revolução Russa. A Revolução Russa pode ser dividida em dois períodos principais:

- Primeiro Período: A Revolução Branca (De Março a Outubro de 1917). Com a deposição de Nicolau II, formou-se um governo provisório, comandado pelo príncipe Lvov. Seu caráter burguês liberal preocupou os socialistas e Lênin exigia a imediata participação dos trabalhadores nas decisões do governo. Ele pregava a formação de uma República de Soviets (Comitês de trabalhadores). Outra crítica feita pelos socialistas era a participação da Rússia na guerra, pois as perdas humanas eram enormes e ela não interessava à Rússia.

- Segundo Período Revolução Vermelha (Outubro de 1917): em 25 de Outubro de 1917, os Bolcheviques cercaram a cidade de Petrogrado, sede do governo e destituíram os governantes. O poder foi passado para o Conselho dos Comissários do Povo, sob o comando de Lênin. O conselho tomou uma série de medidas que causaram grande impacto: dentre elas, podemos destacar:

- Pedido de Paz Imediatamente: em Março de 1918, foi assinado com a Alemanha o Tratado de Brest-Litovsk.

- Confisco das Propriedades Privadas: drandes fábricas e fazendas foram confiscadas dos aristocratas e passaram para as mãos do Estado, que fazia uma distribuição de renda mais justa.

Com essas medidas, todos os grupos ligados ao czar e a burguesia uniram-se para combater os Bolcheviques. Formaram o Exército Branco e iniciou-se uma catastrófica guerra civil e que levou a Rússia à crise mais profunda do século. Os Bolcheviques, entretanto, juntamente com o Exército Vermelho conseguiram dominar a situação em 1921. Leon Trotski destacou-se como grande líder após a guerra civil.

*A Nova Política Econômica (NEP) e a Consolidação Do Poder.

Visando amenizar a crise que assolava a Rússia. Lênin criou a GOSPLAN (Comissão Estatal De Planificação Econômica). Ainda em 1921, adotou-se um conjunto de medidas conhecidas como NEP (Nova Política Econômica), que permitia a Liberdade de comércio interno e a entrada de capital estrangeiro para a reconstrução do país. Todavia, o comércio externo, bancos e indústrias de base continuaram sob o comando do Estado.

Para estabelecer-se no poder, o governo passou a perseguir todos aqueles que contestavam o Regime Socialista. Com a nomeação de Stálin para Secretário-Geral do Partido, a perseguição intensificou-se.

Em 1922, no Congresso dos Soviets, fundou-se a União das Repúblicas Socialistas (URSS) e com a morte de Lênin em 1924, iniciaram-se as disputas pelo poder entre Stálin e Trotski. Tendo o controle do exército, Stálin assumiu o poder e expulsou Troski, governando até 1953 com base na centralização política e na perseguição dos opositores.
 
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