Noite na taverna pode ser considerada uma obra de contos, apesar de haver um foi narrativo que une todas as histórias em uma única narrativa.
No primeiro capítulo da obra, um narrador em terceira pessoa faz a apresentação do ambiente: uma taverna, povoada de bêbados e loucos, a uma mesa, alguns homens conversam e bebem.
Excitados pelo álcool, cada um deles conta uma história de sua vida, de modo que cada capítulo subseqüente ao primeiro tem o nome de seu narrador-personagem.
Todas as histórias narradas são fantásticas, envolvendo trágicos acontecimentos de amor e morte, vícios e crimes. Depreende-se, de todos os narradores, um forte pessimismo diante da vida.
Os temas mais excêntricos ao gosto romântico vigente são encontrados nessas narrativas: violência física e sexual, adultérios, assassinatos, incestos, necrofilia, antropofagia, corrupção e outros.
Nenhum vínculo direto com as vivências de Álvares de Azevedo tem sua Noite na Taverna. É uma obra puramente imaginativa, que representa a tendência noturna e fantasiosa do Romantismo.
Noite na Taverna.
Capítulo I: Uma Noite do Século.
Jovens embriagados - todos com nomes europeus Solfiere, Bertran, Johann, Gennaro, Claudius, Hermann e Arnold, acham-se numa taverna em noite escura de tormento e relâmpagos. As mulheres dormem ébrias pelos cantos. Depois de discutirem sobre a vida e emitirem opiniões sobre o amor, o vinho resolvem contar casos verdadeiros. E assim vem a tona o Mundo insólito da inconsciência da embriaguez com as tintas mais fortes de uma imaginação eroticamente dominada pelo irregular.
Capítulo II: Solfiere Narra em 1ªPessoa Uma Estória:
Em Roma, quando passeava pela ponte, viu em uma janela a sombra de uma mulher pálida. A sombra de repente desaparece e há uma música triste no ar. A mulher, inesperadamente, reaparece e ele a segue até o cemitério. Quando amanheceu encontrou-se sozinho e delirando entre as cruzes.
Um ano depois, após uma orgia, deu-se num lugar escuro. Estava numa igreja ao lado de uma caixão. Abriu-o. Era a moça do cemitério. Fechou a igreja e amou aquele corpo frio e pesado. Sentiu que ela começava a acordar, pois sofria de catalepsia. Tomou-a nos braços e levou-a para casa, no seu quarto. Ficaram dois dias e duas noites em delírio. Quando ela definitivamente faleceu, enterrou-a debaixo de sua cama. Mandou fazer uma estátua da virgem. Pagou-lhe e pagou o segredo.
Para provar aos amigos a veracidade da estória, abriu a camisa e virem-lhe ao pescoço uma grinalda de flores murchas.
"-Vede-a? Murcha e seca como o crânio dela!"
Capítulo III: Bertran.
Em Cadiz (Espanha) morava uma donzela chamada Franciele. Quando estavam para se casar, a pedido de seu pai, Bertran teve que voltar a Dinamarca. O pai falecera e após dois anos voltou a Cadiz, mas encontrou Franciele casada e com um filho. Tornaram-se amantes. Porém um dia, o marido soube da traição. Numa noite, quando Bertran a esperava. Franciele apareceu-lhe suja de sangue e o conduziu a uma sala onde estava o marido degolado e o filho também assassinado por ela. Ambos entregaram-se a viagens dormindo durante o dia e praticando orgias durante a noite.
Um dia ela partiu. Tentou esquecê-la no jogo, na bebida, quando foi encontrado caído em frente a um palácio, cujo dono recebeu-o e tratou-o. No entanto, roubou a filha do velho e desonrou-a. Enjoou-se dela, jogou até perder sua última jóia, vendeu-a um pirata. Na primeira noite da jovem com o pirata, o matou e suicidou-se, jogando-se ao mar.
Certo dia na Itália, saciado de vinho e mulheres, tentou suicidar-se quando foi salvo por um marujo que é morto por ele dentro d'água. Apertou, por sede de vida, aquele que o socorria. Matou-o sem querer, Bertran, desmaiado, é resgatado por um navio, cujos marinheiros choravam a morte do companheiro morto enquanto ele ria da sua sina negra.
Ao chegarem a uma corveta, um comandante de outro navio convida-o para viajar com eles. Torna-se amante da mulher do comandante. Após a guerra com um navio pirata, restam apenas cinco sobreviventes sobre uma jangada, Bertran, a amante, o comandante e dois marinheiros. Dois dias depois de fome e dese morrem os dois marinheiros. Os três restantes tiram a sorte no palitinho para ver quem iria morrer para saciar a fome dos outros dois. O comandante é o escolhido. Após a luta, apesar de implorar pela sua vida, Bretran o estrangulou. Comeram a carne do comandante durante dois dias. Ficaram um dia sem comer nem beber. A mulher, então, propôs-lhe que morressem juntos. Bertran aceitou, amaram-se até esgotarem as forças. Porém ele a apertou-a tanto que ela acabou morrendo, foi levada pelas águas.
Bertran foi salvo por um navio inglês.
Capítulo IV: Gennaro.
Gennaro era aprendiz de pintor e hospedava-se na casa do Professor Godofredo Wash. Ele casara-se em segundas núpcias com uma mulher de vinte anos, Nausa, e tinha uma filha de 15 anos, Laura, do primeiro casamento. O velho nutria sentimento de pai pela mulher.
Gennaro, 18 anos, apaixonou-se por Nausa e Laura apaixonou-se por Gennaro. Todas as manhãs Laura adentrava ao quarto do hóspede e deitava-se em sua cama até que um dia revelou-lhe que estava grávida. O moço recusou casar-se com ela por amor a Nausa. Laura, no seu último suspiro, disse a Gennaro sussurrando que ele era o culpado pela sua morte, mas que o perdoava.
Passou-se um ano e o velho parecia endoidecido. Enquanto Godofredo passava as noites chorando no quarto da filha, Gennaro e Nausa amavam-se no quarto dele.
Um dia, o velho entrou choroso no quarto, flagrou o adultério, tomou Gennaro pelo braço e levou-o ao quarto de Laura. Mostrou-lhe o painel onde pintara o retrato da filha. Gennaro chorou e confessou tudo, o mestre passou a agir friamente com ele e certa noite após o jantar Godofredo chamou o aprendiz para acompanhá-lo. Chegaram próximos a uma montanha, quando Godofredo pediu-lhe que o esperasse um instante, subiu ao cume, fez vista a uma cabana e voltou. O mestre levou-o a um despenhadeiro, revelou-lhe a sua história; seu envolvimento com Nausa e a morte da filha, e jogou-o. Ficou preso entre ramas de azinheiro e é resgatado por camponeses. Quando convaleceu-se teve a idéia de voltar à casa de Godofredo e pedir-lhe perdão.
No caminho, encontrou o punhal do mestre e teve a idéia de vingar-se. Ao chegar à casa, encontra o velho e Nausa mortos, suicidaram-se com veneno adquirido na cabana perto do desfiladeiro.
Capítulo V: Hermann.
Em Londres, ninguém dissipava a fortuna de três gerações em jogos e mulheres como ele. No Jóquei Clube viu uma mulher a cavalo, belíssima. No outro dia, reencontrou-a num baile. Seis meses ficaram contemplando-a. Era a duquesa Eleanora.
Uma noite, porém, no palácio do duque tudo dormia e a duquesa cansada do baile, adormecia num divã. Deu-lhe narcótico e enquanto dormia profundamente, amou-a. Passou-se uma semana assim.
Uma noite, depois do baile, Hermann, escondido, colocou narcótico novamente na água. A duquesa entrou junto com o duque, ambos tomaram-no. O duque saiu e prometeu voltar e ela caiu desfalecida sobre a cama. Claudius levou-a para fora da cidade numa estalagem, quando acordou, estranhou o homem, o lugar, a situação. Ele tentou convênce-la do seu amor e convidou-a para viajarem juntos. Convenceu-a de que se voltasse, o marido a acusaria de adultério e se ficasse teria todo o seu amor. Entre choro e gemido, respondeu que sim e desmaiou.
Um dia, porém, Claudius chegou em casa e presenciou o leito ensopado de sangue e próximo um doido agarrado a um cadáver. o doido era o conde Máffio e o cadáver o da duquesa Eleanora.
Capítulo VI: Johann.
Em Paris, Johann jogava bilhar com um moço chamado Arthur. Desentenderam-se e marcaram um duelo fora da cidade.
Se Arthur morresse era para Johann pegar o anel e os dois bilhetes que estavam seu seu bolso; e assim o fez. O primeiro bilhete era enderaçado à mãe e o segundo estava aberto e dizia o seguinte: "A uma hora da noite na rua... n°60, 1°andar, acharás a porta aberta. Tua G".
Teve, então, a idéia de ir procurá-la. Adentou o seu quarto, no escuro, amou-a. Quando saiu do quarto, um homem no escuro abordou-o e lutaram. JOhann matou-o e quando alcançou a lanterna descobriu que o moço morto era seu irmão e a moça com quem passara a noite era sua irmã.
Capítulo VII: Um Último Beijo de Amor.
Na taverna, todos estavam bêbados e dormindo. Chegou uma mulher vestida de preto, pálida com uma lanterna e um punhal na mão. Apontou o foco de luz para Johann e, de raiva, matou-o. Johann era o seu irmão que havia desonrado-a. Volta-se para Arnold. Ele era o Arthur que tanto amara. Ela era Geórgia que viera pedir-lhe um último beijo de adeus, após cinco anos sem vê-lo. Ela, de virgem, virava prostituta. Deixou claro a impossibilidade de ficarem juntos e ambos suicidaram-se com um punhal.
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