A geração que descobriu as virtudes dos exercícios físicos está agora conhecendo uma faceta inesperada da malhação, o consultório médico. A legião de corredores, nadadores, ciclistas e freqüentadores de academias de ginástica com idade entre 40 e 60 anos só ouviu uma parte dos conselhos médicos - fazer exercícios duas ou três vezes por semana é a receita para viver mais e com melhor qualidade de vida.
Havia uma advertência, muitas vezes desprezada, de que é preciso respeitar os limites do corpo e evitar o excesso de exercícios, sob pena de surgirem lesões musculares e até ósseas. Uma pesquisa feita pelo laboratório fermacêutico americano Merck Sharp & Dohme em nove países, entre eles o Brasil, divulgada na semana passada, mostra que a maioria (52%) das pessoas que reclamam de lesões causadas por prática de corrida tem mais de 50 anos.
Os problemas mais comuns são tindinites, rompimento de ligamentos, bursites e dores na coluna.
Quem tem em média 50 anos pertence à primeira leva de brasileiros a se conscientizar de que precisava praticar atividades física para reduzir o risco de doenças e manter-se jovem por mais tempo. São homens e mulheres que cresceram numa sociedade que fumava sem culpa e não associava a prática regular de exercícios à boa saúde.
Seus pais nunca freqüentaram academias. Havia uma vaga noção de que fazer ginástica era coisa para esportistas e soldados nos quartéis. Esses homens e mulheres começaram a suar a camisa na última década, quando a prática de exercícios passou a ser reconhecida como a maior aliada da boa forma física e do combate ao envelhecimento.
É uma geração que almeja chegar aos 70 anos com pique para continuar executando as atividades do dia-a-dia de forma eficiente. Só que muita gente, em vez de começar devagar, com atividades leves como caminhadas e hidroginástica, pega pesado na corrida quatro ou cinco vezes por semana e faz muita musculação. "Grande parte das pessoas de meia-idade começa a malhar como se ainda tivesse 20 anos", diz o ortopedista Wagner Castropil, especialista em medicina esportiva e membro do Comitê Olímpico Brasileiro.
Até o inicio da década de 90, eram raras as pessoas na faixa dos 40 anos aos 60 anos que chegavam aos consultórios médicos com lesões causadas pelo excesso de exercícios.
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