Quem deveria assumir o cargo foi o vice João Goulart, que estava na China e a Presidência foi entregue ao Presidente da Câmara Ranieri Mazzili.
Jango (como era chamado João Goulart) foi impedido de tomar posse. A oposição, conservadora, aproveitou o momento de instabilidade política, acusava-o de pactuar com os comunistas.
Na tentativa de resolver o impasse, o Congresso votou uma emenda constitucional que instituiu o sistema parlamentar, que daria a Presidência a Jango, mas com seus poderes diminuídos e transferidos para um primeiro ministro escolhido pelo parlamento e de maioria conservadora.
Não tendo outra escolha, Jango aceitou e assumiu o governo em 7 de Setembro de 1961.
Jango, durante todo o seu governo, tentou manter uma política de aproximação com as massas populares. Os movimentos populares se organizavam de maneira fantástica.
Os movimentos estudantis cresciam em todo o país, a maioria ligados à UNE (União Nacional dos Estudantes), os movimentos sindicais também se organizavam, surgiram a CGT (Comando Geral dos Trabalhadores) e o MUT (Movimento Unificador dos Trabalhadores), integrado à maioria dos movimentos sindicais do Brasil.
Os trabalhadores rurais também se organizaram, criaram-se a CONTAG (Confederação dos Trablhadores da Agricultura), a FETAPE (Federação dos Trabalhadores de Pernambuco), e o movimento de maior destaque que foram as Ligas Camponesas do Nordeste, lideradas por Francisco Julião.
Essa extraordinária organização popular e suas ligações com Jango, assustaram os conservadores, que rapidamente se organizaram e passaram a criticar veementemente o governo de Jango.
Os principais líderes do movimento de oposição eram alguns militares como o General Odílio Denys e o almirante Sílvio Heck, além de alguns políticos como Carlos Lacerda (novamente) e o proprietário do Jornal O Estado de São Paulo, Júlio de Mesquita Filho.
A situação se agravou entre jango e a oposição como o lançamento do Plano Trienal em 1963. O plano Trienal desagradou tanto a oposição conservadora como os movimentos populares, pois, entre outras coisas, restringia o crédito para indústrias e visava o controle dos salários.
Ainda assim, Jango tinha a seu lado os movimentos populares. Através de um plebiscito, voltou-se ao presidencialismo, restaurando-se, assim, os poderes do presidente.
A oposição denunciava a realização do governo, e suas fortes ligações com o comunismo, pois Jango havia reatado relações com a União Soviética (rompidas em 1947), além de tentar acordos com China e Cuba.
Em 13 de Março de 1964, Jango fez um comício na estação da Central do Brasil no Rio de Janeiro, em que lançou um projeto de reformas estruturais necessárias para melhorar as condições de vida da população: Reforma Bancária, Reforma Administrativa e Reforma Agrária. O governo de Jango não duraria mais 20 dias.
Entre 25 e 27 de Março, ocorreu o chamado Motim dos Marinheiros e Fuzileiros Navais, que reuniram-se no Sindicato dos Metalúrgicos e protestaram contra a punição de 11 membros da Associação. A reação do alto escalão das Forças Armadas veio rapidamente, principalmente quando Jango se pronunciou a favor dos marinheiros. As Forças Armadas criticaram abertamente Jango.
Em 31 de Março, um movimento militar contra Jango eclodiu em todo o país: iniciou-se em Minas Gerais sob o comando do general Olymio Mourão Filho e Carlos Luiz Guedes e com o paoio do governador de Minas, Magalhães Pinto, estendendo-se para o Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. Jango foi deposto em 1° de Abril de 1964.
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