Em centenas de escritórios espalhados pelo mundo, milhares de trabalhadores curvam-se sobre máquinas e colocam livros empoeirados sobre scanners de alta tecnologia. Essas pessoas estão construindo, página por página, a biblioteca universal.
É um sonho antigo: acomodar num só espaço todo o conhecimento do presente. Todos os livros, todos os documentos, tudo em todas as línguas. Tal esperança soa familiar. Há muito tempo vivemos, mesmo que por um breve instante, uma experiência semelhante.
A grande Biblioteca de Alexandria, construída por volta de 300 a.C., foi projetada para acomodar todos os pergaminhos que então circulavam pelo mundo. Chegou a reunir cerca de 500 000 desses manuscritos. Algo que pode ter representado entre 30% a 70% da produção existente na época.
Mas, mesmo antes de essa coleçãose perder, o instante em que todo o conhecimento poderia ser armazenado em um único prédio havia sido superado. Desde então, o ritmo de expansão do volume de informações extrapolou nossa capacidade de contê-las.
Durante 2 000 anos, a biblioteca universal - ao lado de aspiraçõesque já parecem nostálgicas, como mantos da invisibilidade, sapatos antigravitacionais e escritórios sem papel - perdurou como um sonho mítico, que reflui sobre um furuto infinito.
Até agora, porém. Em dezembro de 2004, quando a Google anunciou que iria digitalizar o acervo de cinco grandes bibliotecas, a promessa do acervo universal foi ressuscitada. Na verdade, o explosivo crescimento da web, que foi do nada a tudo em apenas uma década, nos encorajou a acreditar no impossível - novamente.
E será que o acesso a esse acervo mundial realmente está ao nosso alcance? Brewster Kahle, bibliotecário responsável por um desses projetos de digitalização, acredita que sim. E diz: "Isso é realmente possível com a tecnologia atual, não a do amanhã.
Podemos tornar todos os trabalhos da humanidade acessíveis a todas as pessoas do mundo. Seria um feito lembrado para sempre, como foi a chegada do homem à Lua". Ao contrário das antigas bibliotecas, restritas a elites, esse modelo digital seria plenamente democrático.
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